Para muitos o nome Marilyn Manson é sinônimo de glam metal traiçoeiro e cheio de fúria. Sua saída musical foi intencionada para incitar a desconstrução de tais pilares da socidade Americana moderna, como o Cristianismo, conformismo e uma obsessão com a violência. Suas turnês no fim dos ano 1990 e começo dos 2000 eram assuntos explosivos, continuamente cercados e resistidos por grupos conservadores religiosos e políticos, culminando na culpa que foi lhe colocada por seu suposto papel na trágida de Columbine em 1999. A dedicação do Manson em chocar e irritar seus detratores também tiveram uma grande contribuição para seu sucesso em termos de vendas de discos.
Ainda assim, a época que Manson possuía a habilidade de chocar baseada em performances ao vivo, figurinos e conteúdo lírico, passou. A internet aumentou a popularidade depois do tiroteio em Columbine e, eventualmente, a abordagem estranha do Manson foi substituída por milhões de cidadãos implorando para dizer ou fazer qualquer coisa por 15 minutos de fama.
A sociedade que uma vez desprezou Manson, virou algo insensibilizado. E uma década após seu auge em popularidade, trazer seu nome em uma conversa talvez não incite o reconhecimento imediato de outrora.
Agora com o Born Villain, seu oitavo álbum de estúdio que está a caminho (e o primeiro sem a Interscope), Manson encontra-se em uma encruzilhada: Sua abordagem chocante ainda é relevante nos dias de hoje? E se não, o que será do Marilyn Manson?
"Muitas vezes, grande parte das pessoas, especialmente na América, não estão interessadas em encontrar algo mais profundo. Claro, às vezes eu gosto da musiquinha do comercial. Mas ao final do dia, quando você vai dormir, você está fechado em um momento onde você lembra certas imagens, músicas e sons que ficam com você para sempre," diz o falante Manson, nascido Brian Hugh Warner, de sua casa e estúdio em Los Angeles, onde ele fez a maior parte do Born Villain.
"E é isso que me autoriza a ter uma atitude onde eu posso objetivar o fato de que as pessoas tratam o que eu faço como um produto, mas que não me deixa louco e nem levo para o pessoal. Posso tratar isso como não sendo um produto, mas como algo que vem de mim, ainda posso ficar feliz fazendo isso. E eu também sei como adaptar ao que eu acredito ser um grande novo ambiente. Muitas pessoas nunca ouviram minha música; Eu nunca andaria em uma sala ou em uma situação e teria a arrogância, ou na verdade ignorância, de assumir que eles conheçam o que eu tenha feito antes. Quero tocá-lo (Born Villain) como se fosse o meu primeiro disco, e fazê-los gostar pelo mesmo motivo."
Enquanto o sempre solitário Manson fala, ele começa a traduzir o maçiço exterior que ele representou no passado. Ele fala abertamente não só sobre seus medos sobre e seu lugar no mundo, mas como ele, em breve, o conquistaria.
"Eu estava lutando muito para descobrir onde eu encaixaria nesse mundo inconstante. Para alguém que é contra tudo e então, de repente, vira uma parte de tudo. E naquele sentido do Warhol e Salvador Dalí, eu estava apenas tentando tornar isso vivo."
O que Manson escolheu fazer foi voltar ao básico, de um modo que apenas ele poderia.
"Para mim, não posso dizer que foi simples, mas foi importante voltar e não dar a mim mesmo outras opções," continua o cara de 43 anos. "Limitações são coisas muito fortes para artistas terem. Eu me mudei para um lugar e comecei a pintar e só me dei uma cor: Preto, com papel branco. Começamos a fazer esse disco e fizemos com as limitações de imediatismo e urgência. Não era muita improvisação já que compreender que quando você tem apenas um lápis, uma guitarra ou baqueta, é quase como reinventar a roda. Funcionou para mim quando eu nem tinha nenhuma música e eu só podia desenhar."
Os discos do Manson sempre foram fáceis de segmentar, mas questionar o homem por trás da loucura, faz ele revelar-se lentamente como um cara que conhece a si mesmo. Em 2012, Manson vê-se menos como um reformista de uma causa e mais de um artista que finalmente voltou a ter contato com o que fez ele a começar a criar música sob o nome de Marilyn Manson & the Spooky Kids mais de 20 anos atrás.
"Eu queria fazer algo que, ao longo dos últimos álbum, não começou a ficar mais passional, mas menos divertido para mim. E arte sempre era a coisa que trazia algum divertimento para mim. E começou a transcorrer."
Com o Born Villain, Manson ganhou novamente o controle do que ele perdeu. Ele pegou seu tempo, recusou-se a apressar o processo e autorizou sua criatividade a levá-lo aonde pudesse. Fazer o Born Villain, lançado juntamente pelo selo Hell, etc e a gravadora Cooking Vinyl, foi também uma oportunidade para olhar para trás e perceber o tempo passado como um fantoche de uma grande gravadora.
Entre as mudanças em sua carreira, ainda é refrescante saber que ele não perdeu a habilidade de pintar um retrato das situações com sua marca registrada.
"Aqui vai uma referência profana, ou metáfora: Se você está fazendo sexo oral em uma mulher e você está pensando consigo mesmo, "Nossa, isso é maravilhoso" e você apenas quer isso, continue fazendo. Mas quando você pensa, "Espere, as pessoas também me disseram que mostarda é ótima", então você põe mostarda nisso apenas para mudar e continua. Essas gravadoras, elas adoram algo, mas então dizem para tentar algo diferente porque alguém disse para fazer. Eles têm medo de amar algo, porque não é o artista, eles pensam, é a fórmula. Mas as pessoas se identificam com coisas que realmente as tocam."
É a esperança do Manson que o Born Villain irá, sem dúvida, tocar os fãs, sem a mostarda. Enquanto ele está pronto para reconhecer o seu passado, ele está mais contente de seguir em frente. Chocar aqueles ao redor dele não o preocupa e ele duvida que já tenha preocupado.
Provar o Manson, com sua contínua luta para ser honesto, pode ser mais relevante agora do que nunca.
"O que quer que eu tenha feito, certamente nos levou a essa conversa. Sempre disse que posso possivelmente não ser chocante. E acredite ou não, eu disse isso quando comecei. O que você pode ser é confuso, e interessante. É uma forma de comunicação. E tudo isso adicionado à determinação de fazer esse disco, eu acho que será considerado o melhor disco do Marilyn Manson. É a maior verdade que eu queria ser."


29.05 @ House of Blues
30.05 @ The Marquee
01.06 @ Iselta Amphitheater
03.06 @ Red Rocks
04.06 @ USANA Amphitheatre
06.06 @ Gibson Amphitheatre at Universal City Walk
07.06 @ Ava Amphitheatre
08.06 @ UTEP/Don Haskins Center
10.06 @ Verizon Theatre
13.06 @ Jacobs Pavillion at Nautica
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