Foi lançado oficialmente hoje, 14 de Novembro, o videoclipe de KILL4ME. Este é o terceiro registro audiovisual do Heaven Upside Down.

Assim como em SAY10, Johnny Depp estrela o clipe, que foi dirigido por Bill Yukich. Assista!

Confira na íntegra a entrevista que Manson deu recentemente para o jornal britânico The Sun.

O Shock Rocker Marilyn Manson conversa sobre como a morte impactou seu último álbum Heaven Upside Down e criar arte controversa - após segurar uma arma de mentira no público americano

O lendário músico abre o jogo sobre seu vídeo com armas para o singe WE KNOW WHERE YOU FUCKING LIVE e defende seu amigo Johnny Depp das críticas da imprensa.

Estou só me admirando no espelho - Serei só um segundo…

Manson se enfeita, reclinando em uma cama perfeita para uma orgia em um quarto no andar de cima de sua casa em Hollywood Hills.

Eu estava esperando algo mais gótico, como uma “Marilyn Mansão”, quando fui convidado a ir até sua casa.

Mas por que qualquer coisa seria previsível no mundo do homem que estampou as manchetes dessa semana por apontar uma arma de mentira ao seu público em San Bernardino no dia do massacre na igreja do Texas?

Ele é uma das pessoas mais desconcertantes com quem já estive em um quarto e não perdi a chance quando ele disse: “Tenho um vídeo novo se você quiser assistir.

Foi filmado nesse quarto - é de cair a calcinha, hein?” Ele sorriu referindo-se ao sedutor lugar antes de tomar um gole generoso de vodca.

Ele não consegue se mexer muito, amparado por um suporte na perna, um legado por ter quebrado a perna há um mês no palco em Nova Iorque.

Sua carreira está andando de novo, cortesia de um inesperado novo e agressivo álbum, Heaven Upside Down. Estreiou no sétimo lugar nas paradas, e é seu o disco mais bem sucedido em uma década.

Ele dá play no vídeo brilhante e pervertido de KILL4ME. Tem o Johnny Depp, duas garotas nuas e ele em um estado de nudez.

Reconheci as escadas que acabei de subir e a cabeceira dourada, e reflito que aqui costumava ser a casa do Johnny Depp (ele é dono da rua toda) e deu de presente para o Manson para que eles morassem perto um do outro.

Assim que o vídeo acaba, Manson diz, “No final, quando você vê a cueca pegando fogo, ela é minha - e o isqueiro é do Johnny - ele queimou minha cueca!

Fiquei com vergonha de ficar sem roupa na frente das moças, e o Johnny também.

Somos amigos há muito tempo, mas não ficamos um olhando para as partes baixas do outro.

A amizade dos dois já vem de vinte anos. Ele diz: “Éramos dois caipiras que fomos para a Flórida.

Manson também foi rápido em defender seu amigo diante dos comentários da mídia sobre a première do filme The Orient Express: “A imprensa disse que ele parecia pior por estar bêbado. Ele estava bonito pra caralho e quero que isso fique registrado.

Manson, de 48 anos e sem filhos, é padrinho de Lily Rose, que tem 18, filha do Depp e Vanessa Paradis.

Ela é incrível,” ele elogia. “Ver o Johnny criar seus dois filhos que são tão inteligentes e bem sucedidos em serem felizes em um mundo onde seu pai está sempre evidência e trabalhando é bastante admirável.

Isso me dá esperança porque sempre fico preocupado em não estar por perto o bastante dos meus filhos, sem contar o fato de ser irresponsável ou deixar absinto por aí. Ainda não tenho certeza se é justo colocar uma criança no meu mundo.

Não gostaria que a bagagem que vem com o que é ser Marilyn Manson os afetassem.

Manson, cujo nome verdadeiro é Brian, era próximo a seu pai Hugh Warner, que faleceu em Julho, e isso teve um efeito profundo em seu último disco.

Ele diz: “Heaven Upside Down acabou sendo o título - originalmente eu estava, igual criança, todo entusiasmado e disse que ia chamar SAY10 e seria lançado no Valentine’s Day. Mas naquela época eu não sabia que meu pai ia ficar tão doente.

Naquela época não tínhamos a Revelation #12 (a faixa de abertura) e Threats of Romance.

Mas essas músicas agora existem porque foram escritas de formas diferentes. Elas estavam em prosa em sua maioria, não eram músicas.

Era sobre ter espaço o suficiente, alguns meses para lidar com o que estava acontecendo na minha vida e realmente absorver o disco.

Desde que meu pai morreu eu sou o último da linhagem. Talvez eu congele meu esperma em um picolé e vou colocar no meu freezer entre o colibri morto que encontrei no meu quintal e os pirulitos.”

O novo talismã musical de Manson, o compositor de trilhas sonoras Tyler Bates, se juntou ao Manson para fazer o The Pale Emperor, e fornece o ingrediente secreto mais uma vez no Heaven Upside Down.

Ele lembra: “Conheci o Tyler no set de Californication e o convidei para o meu estúdio. O primeiro fruto gerado entre nós foi Third Day of a Seven Day Binge e quase que simultaneamente viramos irmãos.

Ele pode olhar um trecho de um diálogo - neste caso as letras - e trazer uma emoção à isso. E na música Heaven Upside down ele faz isso com maestria.

Morte é um tema persistente no quarto escuro e os pensamentos do Manson voltam-se aos suicídios de Chris Cornell e Chester Bennington.

Ele diz: “Eu cresci ouvindo Soundgarden, mas sempre achei o Linkin Park uma mistura de The Backstreet Boys com o Korn - não era para mim. Mas depois fiz alguns shows com eles, conheci todos. Acho que os levei pela primeira vez em um bar de strip - mas não tenho certeza.

Sempre fui contra a ideia do suicídio. Não desprezando, mas acho que isso afeta muita gente. Não estou dizendo isso sobre o Cornell ou o Bennington, só para deixar claro.

Nunca tentei me matar porque eu seria ótimo nisso.

Até coloquei no meu testamento que quando eu morrer, que provavelmente não vai acontecer nunca, eu quero que meu velório esteja repleto de dinamites e que exploda, assim todo mundo morre junto.

Em 1999, a carreira do Manson foi destruída ao ser falsamente acusado por influenciar o tiroteio no colégio Columbine com suas letras subversivas.

Os EUA o fez dele o garoto propaganda do medo e sua vida correu perigo.

Na véspera do show ele lembra: “O Hunter S. Thompson ligou e disse, “não entre naquela merda de palco” Havia uns 40 policiais e atiradores de elite porque muita gente dizia que iria me matar.

Sobre ao vídeo controverso com freiras e armas e incendiário single da WE KNOW WHERE YOU FUCKING LIVE, ele explica: “Posso ver quantas pessoas ficam ofendidas com a minha arte. Mas minha intenção, desde o começo, é fazer as pessoas pensarem. E você precisa lembrar que liberdade de expressão não vem com um plano odontológico.

Sua postura atraiu críticas da mídia, assim como o que aconteceu em San Bernardino, onde ele usou um rifle falso.

Ele diz: “Meus shows nunca acontecem para serem inoportunos. Não tenho culpa que o mundo funcione desse jeito.

Mas posso dizer que não era para ofender ninguém que tenha sido ferido ou afetado daquela maneira. Não sabia do massacre no Texas até deixar o palco.

Mas ele teria reconsiderado a arma se soubesse antes?

Ele diz: “Não posso dizer com certeza. Fui para casa naquela noite e tentei assistir The Walkng Dead e o episódio inteiro foi sobre armas e fiquei ali sentado pensando que estava sendo culpado por algo que não fiz.

Aceito minha responsabilidade pela minha performance - teve um ponto teatral e era para dignificar algo.

Às vezes eu sei onde desenhar a linha, começar a linha, ultrapassar a linha, mas não acredito em planos B. Se o que você está fazendo não está funcionando, você tem de ter a habilidade de reagir e adaptar como em uma guerra, e isso é provavelmente algo que aprendi com meu pai que foi um veterano no Vietnã.”

Mas não foi só com a imprensa que Manson teve problemas recentemente. Ele foi pego pelos comentários de que Justin Bieber o deixou “relevante de novo” por usar e recriar algumas de suas camisetas clássicas.

Manson diz: “Não quero julgar ele já que o vi apenas uma vez. É estranho. Sonhei ontem à noite que ele tinha crescido igual ao Huck, mas era todo amarelo.

Você pode chamar isso de pesadelo, eu acho, ele estava sem camisa cantando rap Cristão. Foi esquisito. Ele tinha piercing no mamilo também - Não estou inventando tudo isso!

Mas o astro do hip-hop Lil Uzi Vert parece agradar muito mais o Manson. Ele diz: “Ele disse, ‘você é real’, e, por mais que ele tenha crescido em uma realidade muito diferente, ele me lembra quando eu era mais novo. Gosto da voz dele, da abordagem e que ele tem o rock n’ roll.

Esse não é o álbum de despedida do Manson. O próximo ano parece bastante ocupado na atuação também, com um filme do Stephen King na fila.

 

O novo disco do Manson, Heaven Upside Down, finalmente será lançado em nosso país através da Universal Music. A pré-venda já está disponível na Saraiva e o lançamento está marcado para o dia 17 de Novembro.

Clique aqui para fazer sua reserva. A partir do dia 17 ele estará nas prateleiras de todo o Brasil.

O baterista Gil Sharone é capa da edição de Dezembro da revista DRUM! e concedeu uma longa entrevista falando sobre seu trabalho no Manson, que além de ser o baterista ao vivo, também participou das gravações do The Pale Emperor e Heaven Upside Down!

Na mesma edição também há uma pequena entrevista com Tyler Bates e Daniel Fox, técnico de bateria do Sharone e que durante um período entre 2016 e 2017 fez parte da banda como tecladista ao vivo. Confira a íntegra da tradução abaixo!

 

O mundo ofegava na metade dos anos 2000 enquanto Gil Sharone passava por uma montanha russa de complexidade impossível durante seu tempo com o The Dillinger Escape Plan, mas agora ele emprega uma estratégia rítmica mais deliberada com o Marilyn Manson. Mas agora com o Manson afastado por um acidente bizarro no palco, o que temos para o baterista?

Gravar discos e sair em turnê com o infame Marilyn Manson e sua banda pode ser fácil - isso se você estiver bem equipado e preparado para arrebentar como o Gil Sharone. O ex-baterista do The Dillinger Escape Plan está animado hoje, tendo acabado de finalizar a produção do novo disco do Manson, Heaven Upside down, e recentemente voltado de uma turnê de três semanas e meia pela Europa - onde Manson tocou pela primeira vez várias músicas novas na turnê de aquecimento para o disco novo.

 

NA ESTRADA NOVAMENTE

Tudo vai começar no inverno”, diz Sharone com um sorriso feliz. “Essa turnê de aquecimento foi ótima. Tocamos três músicas novas pela primeira vez, e ver a resposta que elas tiveram junto dos clássicos de mais de vinte anos foi bem legal e promissor.

O excelente novo disco é o melhor do Manson (e isso será questionável para alguns fãs). É um disco de hard rock substancialmente diferente de várias maneiras, não apenas no conteúdo e estilo das músicas, mas também pela maneira que o guitarrista e produtor da banda, Tyler Bates, mixou e produziu, com as baterias servindo como apenas um componente em uma maior orquestração de som.

Claro, nas performances ao vivo as bateristas do Sharone serão consideravelmente mais presentes: altas. Mas o som orquestrado do álbum foi o produto de um encontro de mentes das três peças principais da banda - Manson, Bates e Sharone - sobre a nova direção do grupo e nova roupagem no som, e a parte que Sharone ia tocar nas sessões de gravação em dois estúdios de Los Angeles.

Sharone liga os pontos: “Começando com o último disco que o Manson lançou, The Pale Emperor (2015), foi aí que o Tyler entrou. O Tyler é um compositor de bastante sucesso em Hollywood, mas também um grande guitarrista, e um cara que também veio de um passado de bandas - ele entende, está em ambos os mundos.”

Antes das gravações do The Pale Emperor, e antes de Bates ter chamado Sharone, Manson e Bates gravaram bastante juntos. Após as músicas estarem escritas, Bates programou todas a parte instrumental e chamou Sharone, seu colaborador de longa data, para gravar a bateria sob os sons programados.

Manson também esteve na primeira sessão e de primeira gostou do que ouviu. “Foi a primeira vez que o vi,” diz Sharone, “e ele só disse, ‘quero que seja o meu baterista.’ Nossa, tipo, eu só fui lá para gravar uma sessão para o The Pale Emperor e ele me ofertou o emprego na mesma hora para ser o baterista. E desde então estou com ele.”

Passemos para o Heaven Upside Down. Quando Manson e Bates conversaram sobre fazer o próximo disco, Manson disse que queria manter o espírito do The Pale Emperor ao vivo produzindo-o da mesma forma, com Manson e Bates escrevendo os riffs, tons e batidas juntos, e então colocando o Sharone para tocar a maioria das faixas programadas.

Eu não estava lá na parte mais íntima das composições,” diz Sharone, “mas como trabalho com o Tyler em vários outros projetos, eu praticamente estive lá em espírito. Sempre estive por perto, e o Tyler me falava sobre as músicas e me mostrava as demos. Foi um processo bem legal para mim de acompanhar tudo desde o início e ver o desenvolvimento das músicas.

Para as sessões de gravação e shows do The Pale Emperor e do Heaven Upside Down, Manson, famoso por ser bastante exigente, deu ao Sharone algumas direções sobre o que o seu baterista deveria ou não fazer. E ele só diria uma vez.

Para o Manson, diz Sharone, “é fazer o arroz e feijão, manter sexy, manter dançante. Ele não quer por um segundo ter que olhar para o baterista e dizer, ‘o que foi isso? Que levada de jazz foi essa? O que você está fazendo? Mantenha o groove, continue sexy.’

 

REFAZER/REMODELAR

O The Pale Emperor foi meio que o disco de renascimento para o Manson, uma renovação que teve uma vibe surpreendentemente puxada para o blues e várias músicas mais lentas e sombrias. O Heaven Upside Down continua o que parou no The Pale Emperor, embora Sharone sinta que esse novo disco tenha sua própria personalidade e vibe, em grande parte pelo som da bateria.

Tem músicas bem perigosas e selvagens,” ele diz, “e o Manson está por toda a parte liricamente, bem direto ao ponto. E eu sabia que a bateria não poderia atrapalhar isso.

Estar em um papel de apoio é algo que Sharone abraça como o centro de seu conceito de como os melhores bateristas se comportam. E o uso extensivo de batidas programadas  e melodias por parte do Bates nas gravações e performances das músicas do Manson casa bem, diz Sharone, com sua própria atitude sobre os melhores papeis que um baterista pode ter em formar um exemplar de música bem orquestrado, independentemente do gênero.

A programação é outra parte muito importante que toco não apenas ao vivo, mas no estúdio,” ele diz. Ele também nota que os ouvintes terão dificuldades em apontar a diferença entre a bateria sequenciada e a tocada de verdade nas músicas do disco.

Na recente turnê europeia, as músicas novas, incluindo SAY10, Revelation #12 e WE KNOW WHERE YOU FUCKING LIVE imediatamente criaram vida própria, e Sharone teve a oportunidade de escolher quais partes da programação feita em estúdio ele irá incorporar nos futuros shows. Uma vez que isso esteja definitivamente escolhido, não tem volta. Por quê? Manson não gosta de surpresas que possam atrapalhar, então a banda acata o que ele diz.

"Quando muito, meu papel nos shows do Manson é servir à programação,” diz Sharone, embora ele não deixe esse processo tirar sua criatividade. Ao invés disso, ele teve bastante espaço enquanto tocava as partes de bateria com as sequências programadas no estúdio com o Bates e Manson.

Em relação à seção do meio de SAY10, por exemplo,” diz Tyler, “O que você ouve a bateria fazer com a programação? Bem, o riff dessa música e a forma que a batida de hip-hop é programada é bem sinistra, e com aquele som meio 808, quando a bateria entra, eu coloco muito cuidadosamente os padrões do bumbo junto das batidas programadas.

Seja com o Bates ou outro produtor, Sharone fica orgulhoso de seus instintos não por apenas ele sentir o que é certo para a música, mas também o que o ouvinte quer ouvir. “Não vou jogar uma levada de jazz, mesmo que como um baterista eu quisesse ouvir aquilo,” ele diz. “Ou levá-la a um lugar diferente que sei que talvez não seja apropriado para o tipo de música que estou tocando. Com o Manson, eu sei tão bem que tipo de coisa ele quer ouvir, que tipo de virada ele gosta, e basicamente ele gosta do arroz e feijão, uma coisa simples e poderosa.

Desta forma, há uma palavra de sabedoria do Manson para seus bateristas: “não confunda as strippers.

 

UMA VOZ EM SUA CABEÇA

No estúdio durante as gravações do Heaven Upside Down, Manson adorou as ideias que Sharone estava contribuindo, e foi em mãos na maior parte da gravação. Sua presença era importante para Sharone, como se fosse um elo de confiança entre os dois e, mais importante, uma familiaridade amigável e entendimento mais profundo para Sharone sobre o que o Manson gosta.

Eu olhava para ele da janela da sala de controle e ele ia sentindo o apoio e poder que estava colocando na programação,” diz Sharone. “Ele é bem particular, então se ele ouvir algo que não gosta, você vai saber. Ou ele vai ter uma grande ideia, tipo quando estávamos gravando JE$U$ CRI$I$, eu toquei o refrão com o prato de condução, e estava tocando mais com a cúpula do prato. E ele disse, “algo não está me tocando do jeito certo, mas continue tocando.” E então ele falou, “toque com o chimbal” e então, “fecha ele um pouco mais, abre um pouco mais.” Comecei a tocar do mesmo jeito no chimbal e então sim. Ele queria ouvir a diferença, ter opções, e ele sabe na mesma hora o que fica bom e o que não fica.

Familiarizar-se com com a poesia lírica oculta do Manson provou ser crucial para Sharone, que acredita ser fundamental para os bateristas prestarem atenção às letras como procedimento padrão, para sentir de verdade o sentimento da história do vocalista e responder isso de forma empática.

Especialmente alguém como o Manson, é difícil para mim não prestar atenção ao que está acontecendo liricamente,” ele diz. “Não só pelo fato da voz dele estar literalmente dentro do meu cérebro - eu uso retorno e a voz dele fica ali quando estou tocando - sinto emocionalmente o que ele está dizendo. Quando tocamos uma música tipo Coma White, Tourniquet, Great Big White World ou The Dope Show, o humor dele afeta o meu de uma forma que me ajuda a interpretar essas músicas baseado no que ele está me dando.

O respeito de Sharone pelo icônico Manson e a confiança do Manson na experiência e técnica de Sharone também tem impacto em sua performance - e o polimento do legado do rockstar. “Marilyn Manson é o cara, direto, e provavelmente o último que sobrou - ele é tipo uma raça em extinção,” diz Sharone. “Quando ele entra em algum lugar, sua presença é muito forte. Quando ele entra no palco, em qualquer humor que ele esteja, é muito intenso. Sabe, a maioria dos bateristas cagariam nas calças com a pressão, mas estar naquele assento, com toda a intensidade que é o show - eu que começo e termino todas as faixas, eu o observo, preciso saber se quer algo tipo James Brown, e se você perder, ou se ficar muito ocupado pegando água e pensa que ele vai falar alguma coisa, mas daí muda de ideia e quer que você comece a música agora - é tipo uma zona de batalha. Mas o The Dillinger Escape Plan me preparou para isso, porque o show deles era insano, e a música era mais doida ainda.

As versões gravadas das músicas do Heaven Upside Down capturam a essência do que é o disco: uma visão complexa e de humor negro do nosso mundo torturado e as almas sensíveis que labutam sob seus pés todos os dias. As visões do Manson sobre tudo isso estão chocantemente obtusas, assim como a música que acompanha. No geral, o disco é uma coleção musicalmente diversa de persuasões sônicas que fazem o papel contínuo na nova direção que começou no The Pale Emperor.

Claro, quando tocamos as músicas novas ao vivo, a “bateria de rock” vai dar aquele tom extra de peso e agressividade,” diz Sharone. “Mas para mostrar o conceito das sessões em estúdio, o background do Tyler como compositor de trilhas sonoras significa que ele pintou um retrato mais orquestrado da música, onde você tem o vocal à frente e todos esses sozinhos - incluindo bateria, batidas programadas, guitarras - ao redor e como um apoio.

Traduzindo as mixagens bem particulares do álbum em uma performance ao vivo poderosa foi uma coisa delicada.

“No palco, a bateria tem de ficar em um certo lugar, porque senão tudo que está na mix pode mudar completamente. E daí tem que começar novamente o quebra-cabeça de como organizar essa paleta de som.

 

FIEL AO ROTEIRO

Sharone é um gravador que é tão proficiente em tocar coisas complicadas quanto em batidas simples e diretas - direta com swing.

Com o Manson, mesmo que eu não esteja tocando uma música complexa, quero que fique bom, e faça o público pirar e fazer com que eles tenham esse elemento dançante mais do que em qualquer outro show do Manson. E é só aquela batida quatro-por-quatro, cheia de atitude e groove.

Mesmo com as coisinhas que podem sair voando aqui e ali durante o show, ele sabe que não vai atrapalhar o Manson.

Manson parece não gostar de surpresas, mesmo que todos estejam preparados para as surpresas dele.

Porque ele ouve tudo, e ele não quer ficar distraído por isso,” diz Sharone. “E é aí que vem a confiança:  ele sabe que não importa o quê, ele vai ter aquilo comigo. Ele vai virar - ele estava com o público e por algum motivo nem sabe onde estamos na música porque alguém do público pegou seu microfone e estão puxando ele ou sei lá - ele vai voltar para o palco e eu estou guiando ele. Boom! É aqui onde estamos.

Tudo tem a ver com ficar de boa no calor do momento, ele diz, tipo quando o Manson ocasionalmente cai sob a bateria. “Você só não para. Essa é outra coisa que aprendi com o Dillinger, onde os shows também eram insanos e cheios de energia, com os caras pulando, se batendo, sangrando e com ossos quebrados. Eles falavam para eu nunca parar de tocar. Esse tipo de treinamento me deu um foco mental que me preparou para o Marilyn Manson, e a confiança cresceu, onde ele sabe que tem a mim como cobertura. E eu sei que ele não vai vir até mim e tentar me atacar durante o show!

 

IRMÃOS BABYLON

O nascido em Los Angeles Sharone e seu irmão gêmeo Rani (que é o seu parceiro na banda Stolen Babies, um projeto paralelo) cresceram na música e rapidamente entraram em aulas de trombone e trumpete na escola, e mais tarde guitarra e bateria. Em relação a gêneros musicais, eles gostavam de tudo.

Eu era uma esponja, absorvia tudo, e ninguém nunca apontou uma arma para mim me forçando a gostar de certos tipos de música,” diz Sharone. “Se me movia, não ligava se era o pop que tocava na rádio, coisas antigas, soul, funk, tudo que me movia. Mesmo antes de virar baterista, a música tinha um grande impacto em mim internamente.

Então quando Sharone começou a tocar bateria, não foi difícil para ele desenvolver um sentimento por uma vasgta gama de estilos musicais. “Quando eu comecei a tocar reggae, eu não fui do básico ao sofisticado - eu conseguia tocar o que eu ouvia porque eu sentia. Tipo, eu sentia antes de tocar em uma baqueta. Como esse sentimento funciona com a orquestração dinâmica do kit em uma configuração jazz ou bepop é bem diferente de uma configuração de rock. Com o Manson, eu tenho que acelerar o volume em nove de 10 na escala, enquanto em casamentos e shows de jazz e coisas assim que tocava na escola não eram nada assim. Mas o sentimento estava lá.

Sharone estudou vários bateristas, incluindo Vinnie Colaiuta, Elvin Jones, Max Roach, Dennis Chambers, John Bonham e Bill Ward. Ele também sempre teve uma paixão pelos ritmos leves do reggae e ska, e compartilha isso no Wicked Beats, seu DVD e livro instrucional, assim como sua coluna com aulas de reggae nesta revista que vos fala. Ouça com atenção e você consegue ouvir traços de suas influências na nova música do Marilyn Manson - mesmo uma sugestão distante de swing do reggae.

É verdade,” ele diz. “Muitas das viradas e sentimento estão vindo dali. Na SAY10 por exemplo, no groove daquela música, a batida programada está ali, mas estou tocando ela direto. Mas é reggae para mim, é jazz, é como eu toco - tem um groove. E se você ouvir as músicas do Manson, pelo menos 75% delas são shuffles; seja The Dope Show ou The Beautiful People, todas elas têm uma vibe, então não ter esse swing seria um desserviço.

As pessoas me perguntam, ‘como você muda de reggae para o Dillinger para o Manson e trabalhos em sessão?’ Não importa que estilo de música você toque, todo baterista deveria ter as mesmas ferramentas na caixa para qualquer show: seu sentimento, sua dinâmica, sua atenção, ouvir os outros músicos, sua técnica - nada disso deveria sair da janela baseado no estilo de música que está tocando.

“Eu sempre me mantenho fiel a mim mesmo e que tipo de habilidades eu quero ter ao longo dos anos, e as ferramentas que preciso para me expressar e como posso tocar com alguém e ter um líder de banda falando, “esse é o melhor jeito que essas músicas já foram tocadas.” Esse é o maior elogio para mim - e o motivo do meu telefone sempre estar tocando.

 

ENTREVISTA COM TYLER BATES

A experiência como compositor de trilhas sonoras do guitarrista e produtor do Marilyn Manson, Tyler Bates, tem dado a ele uma clara compreensão do papel crítico que a música tem em criar uma história. Gil Sharone, ele diz, é um baterista que também entende esse conceito.

Gil tem a habilidade de praticar e entender o ponto da música e qual o ponto da bateria: não é sobre você no tanto que é sobre a história, e o Gil naturalmente entende a sintaxe do que essa música é. Ele se fecha na vibe na mesma hora e eu o encorajo a tocar.

Entender o sentimento do significado de uma música é crucial, diz Bates, que fala sobre isso como se fosse uma forma de arte perdida. Ele culpa a tecnologia de gravação moderna. “Nos anos 80 e 90, a gente entrava nisso com a produção de estúdio onde as bandas não estavam mais gravando bandas. Guitarristas e vocalistas estavam dobrando e muitas vezes as seções rítmicas consistiam em cortar faixas sem realmente saber qual a história toda da música, especialmente a letra e melodia.

Bates explica isso por causa da natureza do processo no qual ele e Manson gravam as músicas e cortam a bateria ao fim da produção. “Gil pega a música e fica animado com isso e entende o que o Manson está dizendo, junto com a atitude das cores da guitarra e a mistura de sintetizadores.

Tudo isso ajuda Sharone no estilo que ele quer alcançar com a música. “Sua escolha de viradas em uma faixa do Marilyn Manson vai ser muito diferente do que ele fez no passado, seja no Dillinger, Team Sleep ou Stolen Babies, ou seja, ajuda muito ele não apenas com a história, mas com a cultura sobre o que a música fala.

Sharone - que também trabalhou com Bates em vários projetos de cinema e TV e até um trabalho recente de uma trilha sonora para a Disney - é, segundo Bates, um músico muito esperto e intuitivo que não é “só” um baterista. “É sempre divertido trabalhar com o Gil porque ele é capaz de lidar com qualquer coisa. E por ter feito várias coisas, isso faz dele mais efetivo quando o assunto é tocar música que exige um pouco mais de restrição, porque ele não sente que é necessário falar acima da música complicando sua própria performance. Isso é sinal de um grande músico.

 

ENTREVISTA COM DANIEL FOX

A equipe que trabalha com o Manson na turnê consiste em 12 pessoas e isso inclui o técnico de bateria de Gil Sharone, Daniel Fox. Nascido em Cleveland, Fox aprendeu muito sobre tocar bateria e o equipamento enquanto tocava com o Mushroomhead, que abriu para o Marilyn Manson e Slayer no Mayhem Fest em 2009. Fox fez amizade com a equipe do Manson e entrou na banda como técnico de bateria.

Ele descreve como é um dia típico com o Sharone: “eu geralmente acordo entre 8am e 9am, me encontro com a equipe, vou até o local do show e começo a montar a tudo. O Gil tem um rack para os bumbos que é bem fácil de manusear. Junto tudo, faço a afinação e deixo limpo e preparado para as destruições do Manson de toda noite.

Não é sempre um show fácil depois que o Manson sobe no suporte da bateria.

Às vezes ele puxa o rack inteiro, então alguns dos grampos que seguram as barras quebram,” Fox conta com uma risada meio exasperada. “Ou ele vai colocar um pedestal entre os pedais. Uma vez ele arremessou uma parte do rack no público e uma pessoa da equipe teve que buscar.

Antes dos ataques do Manson no palco, Fox afina o kit o mais próximo do ideal para Sharone. “Ele gosta de uma afinação mais solta, que, com as peles claras da Emperor, fica com uma sonoridade estrondosa, especialmente com os tons,” diz Fox. “Mas ele é bem tranquilo com a afinação. Eu chego o mais próximo possível e ele faz a mágica. É incrível como a bateria se mantém afinada com coisas sendo arremessadas nela, com cacos de vidro e giletes por todos os lugares.”

Conectados por microfones talkback, Fox e Sharone estão em constante contato durante o show. “Eu fico atrás dele,” Fox diz. “Temos alguns sinais: Um ‘um’ será “aumente meus vocais”, um ‘dois’, será “aumente o som da bateria”. Se ele precisar do bumbo mais alto ou faixas mais altas, eu estarei logo atrás dele.

E talvez no fim do show o Manson diga, “quero tocar essa música”, então tenho que avisar o Gil e mudar todo o resto das faixas.

Você tem que estar ligado em um show do Marilyn Manson. Você talvez tenha uma noite onde ele não toque em nada, e então no show seguinte ele bagunça tudo - “vou arremessar isso!” Tudo na diversão.”

 

Nós do Marilyn Manson Brasil tivemos a honra de conversar com Tyler Bates, atual parceiro de composição, guitarrista da banda e responsável pelos discos The Pale Emperor e Heaven Upside Down, e vários assuntos foram abordados, desde o processo de criação de ambos os discos, passando pelos selists da banda dos shows, até a reconciliação do Manson com Trent Reznor e seus futuros projetos com trilhas sonoras.

Foi um papo muito legal que está transcrito na íntegra abaixo. Confira!

 

Tyler, primeiramente, MUITO obrigada por tirar um tempo e aceitar fazer esta entrevista conosco. Sei que você é um cara bastante ocupado, então isso é muito legal!

Então, minha primeira pergunta é sobre o dia que aquela coisa gigante de aço caiu em cima do Manson. Pelos vídeos que vi, a banda inteira ficou bem preocupada, e principalmente você. O que você pensou no primeiro momento que viu aquilo acontecendo?

Bom, ele é meu amigo, então claro que fiquei preocupado. Mas minha primeira preocupação foi que ele não estivesse seriamente machucado, sabe, alguma coisa na cabeça ou coluna, mas quando você faz shows com o Marilyn Manson qualquer coisa pode acontecer. É uma pena, mas ele está se recuperando muito bem e trabalhando para fazer o show daqui algumas semanas e depois irmos para a Europa.

O show do dia 5 de Novembro vai acontecer?

Sim.

Como está a recuperação do Manson? Ele vai cantar sentado em um trono ou algo assim, igual ao Dave Grohl recentemente? Ou ele está bem o bastante para andar pelo palco?

Não posso divulgar detalhes da próximas performances do Manson, mas te garanto que ele vai incendiar tudo!

Acho que li todas - ou quase todas - as entrevistas que você deu recentemente e em uma delas você diz que não conseguiria tocar em todos os shows da turnê Europeia por causa dos seus compromissos com trilhas sonoras, mas isso foi antes do Manson se machucar. Agora que a turnê precisou dar uma parada e você teve mais de um mês para trabalhar em outras coisas, você vai conseguir tocar nesses shows?

Parece que eu vou conseguir, sim. Gostaria de tocar, é só uma questão de que tenho um projeto significativo para começar e estou no meio da composição do The Exorcist, então quando estou em turnê com o Manson eu tenho um estúdio no meu quarto de hotel e trabalho de lá (risos).

Você pode nos falar sobre o processo de criação do Heaven Upside Down? Li em uma entrevista que não foi diferente do The Pale Emperor porque você e o Manson gravaram tudo em seu estúdio, mas teve a mesma abordagem? Quando e como vocês decidiram gravar esse disco?

Foi criativamente semelhante ao The Pale Emperor; é essencialmente o Manson e eu em meu estúdio conversando e a partir dessas conversas uma música aparece. Eu sabia que quando ele veio até mim para fazer o The Pale Emperor, ele queria explorar o blues, então aquilo foi o que, pelo menos eu, considero a minha impressão do Marilyn Manson no contexto do blues, mas eu não queria fazer outro disco que soasse daquele jeito, então acho que essa foi a hora certa de trazer mais elementos agressivos e emblemáticos da música que eu e ele amávamos quando éramos garotos e também criar um disco que fosse um reflexo do que está acontecendo na sociedade, e além do mais o rock está bem chato na maior parte do tempo, então fizemos algo que queríamos ouvir.

A música do Manson sempre evoluiu de um álbum ao outro e o The Pale Emperor foi uma grande mudança em relação aos trabalhos anteriores, com aquele som de “blues quebrado” - como você já disse em uma entrevista. Era a intenção seguir essa linha mais puxada para o blues? Ou foi algo que veio naturalmente?

Nossa primeira conversa foi sobre isso, então mostrei a ele o que eu estava fazendo nesse contexto e foi algo que fez sentido para ele. Meu objetivo quando comecei a trabalhar com o Manson foi se livrar de tudo que ele tem feito por um bom tempo e essa foi uma oportunidade para a gente explorar uma dimensão diferente dele como pessoa e artista e revelar algo às pessoas que elas ainda não estivessem cientes antes daquele disco.

Foi divertido, gostamos muito de tê-lo feito e o Heaven Upside Down também foi bem divertido, um pouco mais doido e mais cru. Depois o Gil veio e tocou as baterias.

Eu fiquei - e ainda fico, já que não consigo parar de escutar o disco desde quando saiu porque ele está bom demais - bastante impressionada com todas as camadas e texturas no Heaven Upside Down - sou apaixonada pelos riffs da SAY10 - e isso era algo que não estava muito presente, não DESSA forma, nos trabalhos recentes do Manson. Como isso aconteceu? Porque a Tattooed in Reverse, por exemplo, soa como uma parede de sintetizadores, o que é incrível!

Obrigado! Falei para o Manson que queria fazer algo totalmente diferente e ele perguntou o que eu tinha em mente, e então eu comecei a fazer as músicas. A primeira música que gravamos para o disco foi WE KNOW WHERE YOU FUCKING LIVE, e eu queria ter uma abordagem mais agressiva porque não tem muitos artistas no rock que conseguem fazer esse tipo de música e eu fico preocupado com a falta de ícones dentro do rock, então eu quis fazer um disco com o Manson que o solidificaria definitivamente. O processo de experimentação é algo que vivo todos os dias, então todos os dias eu tenho que escrever a melhor música que me pedem para fazer, no meu mundo como compositor de trilhas você tem de considerar qual é a história que o diretor está contando, e neste caso é essencialmente o Manson me contando de sua vida e eu escrevo as músicas baseado nessas conversas de imediato no estúdio. Mas no meu mundo, eu não posso apontar para uma trilha que fiz há dez anos, “é, eu fiz 300 e A Madrugada dos Mortos”; ninguém se importa com isso quando me contratam, o que eles se importam é que me chamaram para fazer a melhor música que posso agora. Já quando sou eu e o Manson são amigos fazendo música, não é um trabalho encomendado. Eu trago essa mentalidade para a nossa colaboração e ele sente que a música que estamos fazendo agora é a música mais poderosa da sua vida. Por mais que a gente ame os clássicos dele, ele está em um lugar diferente, ele viveu muita coisa desde The Beautiful People e The Dope Show, então… (risos)

E às vezes alguns fãs não conseguem entender isso. Eles acham que o Manson ainda está nos anos 90 e que tem que cantar quase sem roupa nos shows. E eu fico pensando, “ele vai fazer 50 anos já, fala sério”.

É, é inapropriado, mas o que é apropriado é ser a versão mais forte do que você é agora. A idade é um processo natural da vida. Sabe, se você é fã do Manson de verdade, as experiências de vida dele é o que você deveria querer saber e ouvir. Ele tinha uns 26 ou 27 anos quando o Antichrist Svperstar saiu e ele passou por MUITA coisa desde então e é interessante ouvir isso refletido na música de agora, no entanto que seja boa e inspire, mas se não inspirar eu entendo.

Muitos artistas chegam a um ponto da carreira que não fazem mais música boa, eles param de desafiar a si mesmos. Mas tem bandas como o Muse, por exemplo, eles estão na estrada há tanto tempo quanto o Manson e quando você escuta a música nova deles, você percebe que ainda são apaixonados pelo que fazem, ainda tentam fazer grandes discos. Então cada vez que eles lançam um trabalho novo, as pessoas querem ouvir, e não necessariamente pedem para tocar as músicas de 15, 20 anos atrás (risos).

É legal que o Manson tenha essas músicas, mas é, eu não sei se é bom para ele como artista tocar só o material antigo quando fisicamente, emocionalmente e mentalmente ele está muito mais engajado nesses dois discos que fizemos.

Tem uma coisa que eu, assim como muitos fãs, sempre nos perguntamos, e isso é só se for ok para você responder. Como você sabe, o Twiggy sempre foi o principal compositor da banda, da mesma forma que você é agora. Foi escolha dele não participar dos dois últimos discos? Uma colaboração entre vocês dois seria algo brilhante.

O Twiggy foi um colaborador desde… qual é o nome do disco?

Born Villain?

Holy Wood!

Isso, depois ele saiu.

Depois ele saiu, ficou fora por um tempo, aí o Tim Skold foi esse cara, o Chris Vrenna também ficou envolvido. O Twiggy voltou e se envolveu de novo.

Mas acho que o que aconteceu foi que que eu nem conhecia o Twiggy quando eu e o Manson fizemos o The Pale Emperor. A gente se aproximou só para ver o que sairia dali e criamos um espaço juntos e três meses depois nós fizemos o álbum. E depois veio a hora de dar os toques finais, mas o disco foi gravado quase na mesma época que eu o conheci na festa de aniversário do Manson.

Eu imaginei que foi algo não esperado. Eu não sabia nem que o Manson tinha uma banda naquele ponto, porque muita gente entrou e saiu ao longo dos anos e eu nem estava pensando em fazer parte disso, pra te falar a verdade. A gente fez o disco e o Manson me pediu para virar um membro da banda e eu finalmente aceitei em sair e tocar. Eu costumava sair em turnê um bocado.

Então, sim, o disco foi feito sem o Twiggy e acho que o motivo de ter acontecido é porque acho que chegou em ponto onde o Manson precisava de uma nova maneira de fazer música. Ao invés de ir para um estúdio comum, ficar em uma cabine com um monte de pessoas assistindo na sala de controle, acho que ele gosta da intimidade com que fazemos música no meu estúdio, que é literalmente um sentado próximo ao outro. A gente conversa e não parece que estamos gravando um disco. Acho que isso tira muito o peso e a pressão de precisar gravar tudo separado e com tempo. Eu faço toda a música na hora, todos os instrumentos, porque por causa do meu trabalho, com o tempo eu consegui ser um músico bem decente em todos os instrumentos, então conseguimos completar uma ideia de música ou conceito em uma sessão.

Então não, não teve uma agenda para excluir alguém, mas acho que a natureza da música que eu e o Manson estávamos trabalhando era específico de sua atitude e o que ele tinha a dizer e isso fica diretamente refletido em nossas conversas e colaborações, então, por exemplo, a música WE KNOW WHERE YOU FUCKING LIVE. O segundo verso dela foi algo que eu ele criamos juntos com muito cuidado, então cada nota dela é específica e tem efeito no que ele estava fazendo. E acontece a mesma coisa com KILL4ME.

Amo essa música, ela é muito boa.

Obrigado! Cada nota na linha de baixo tem efeito em como o vocal dele se encaixa na faixa. Então não soa assim se você escutar por escutar, mas se você ouvir com atenção, tem certas notas no baixo que não são as mesmas sempre e isso tem um impacto em sua voz. Então uma vez que temos isso, ele não quer mudar. Ele gosta do jeito que toco baixo, mas eu não quis excluir ninguém, isso foi algo dele, do jeito que ele gosta e se sente confortável fazendo música.

É engraçado quando você diz isso de fazer música com o Manson através de conversas, porque parece que é fácil fazer uma música tão épica como Cupid Carries a Gun. Acho incrível que vocês sejam capazes de fazer isso apenas conversando.

Eu sempre imagino em um contexto cinematográfico porque todos os dias eu estou escrevendo músicas para filmes ou televisão, então agora eu estou terminando de gravar um cue para o The Exorcist e penso visualmente. Como isso vai funcionar visualmente, sabe? E emocionalmente. E acho que tem uma complexidade com o Manson porque ele viveu bastante coisa, então coisas que ele escreveria na época, não aconteceria agora, então como fã eu pensaria, “se eu amo esse artista, eu quero apoiar esse artista continuamente e não apenas ouvir mOBSCENE e The Beautiful People pelo resto da vida.” Ele gosta dessas músicas, mas sua mente e seu coração estão com o material novo e acho que os fãs conseguem sentir isso quando veem ele cantando as músicas novas.

Porque sabe, às vezes você vê bandas que estão na estrada há um tempo que tocam duas músicas do disco novo e nessa hora as pessoas na plateia vão pegar uma cerveja (risos) porque a música não é boa.

Mas essas músicas são bastante apaixonadas, a gente se importa muito com elas. Como eu disse, minha mentalidade sempre é de que eu tenho que sempre fazer a melhor música todos os dias da minha vida e eu quero manter essa mentalidade até morrer porque música é a minha vida, então faz sentido para mim.

Foi interessante você ter dito sobre as músicas novas ao vivo, porque outra coisa que sempre me perguntei foi sobre os setlists. Essa pergunta vai ser um pouco extensa, mas deixe eu explicar antes: Eu sou fã de Manson desde os 13 anos - tenho 26 agora - e sempre que a banda inicia uma nova turnê, eu gosto de saber quais músicas estão sendo tocadas, eu procuro por vídeos no Youtube e tal. E desde o Eat Me, Drink Me, eu sinto que o Manson poderia explorar muito mais o catálogo dele. São basicamente os hits mais famosos, duas ou três músicas do disco novo que ele está divulgando e só talvez uma ou duas músicas que a gente pode considerar como “diferentes”. Há um motivo para isso? Vocês conversam sobre ou é sempre escolha do Manson e não há muito o que fazer? Porque The Devil Beneath My Feet, por exemplo, deveria ter sido tocada durante toda a última turnê.

É interessante porque a banda ensaiou essa música por toda a turnê, tocávamos na passagem de som esperando tocar um dia. Tocamos Slave Only Dreams to Be King uma vez e foi incrível, mas acho que o Manson por algum motivo não se sentiu tão confortável. Tocamos The Mephistopheles of Los Angeles também. Acho que cai muito sobre o que é confortável para ele. Quanto às outras músicas… tirando The Beautiful People e The Dope Show e talvez Tourniquet, eu não conhecia as outras. Você citou mOBSCENE como uma música famosa, eu não me importo porque prefiro tocar Get Your Gunn ou algo assim, sabe?

Conheço essas músicas porque com o tempo ele foi mostrando para mim - ele falava de alguma música para mim e eu respondia, “não, essa eu não conheço”. Mas a gente toca o que for confortável para ele. Eu instigo ele a tocar coisas mais antigas que são interessantes, porque se eu ficar cansado de tocar uma música - e eu nem deveria ficar, porque não conhecia a música antes de tocar (risos). Sabe, eu não conhecia mOBSCENE, ela estava no setlist e eu tinha que tocar.

Mas ele tem uma mente aberta. A gente começou a introduzir cada vez mais músicas que fazia tempo que ele não tocava.

The Reflecting God é um exemplo.

É, tipo Great Big White World. Ele estava falando sobre tocar algo e eu falei, “Pô, cara, essa música é melhor” e estou dizendo isso porque sou objetivo, não tenho a mesma conexão que muitos fãs têm. Quero o melhor para ele. E se eu for estar em turnê com ele, eu tenho que tocar músicas que escrevi, porque senão não faz sentido eu estar ali porque tem muita coisa competindo pelo meu tempo, mas eu quero ver coisas ótimas acontecendo para ele e elas estão acontecendo e fico feliz de ver isso.

Mas no fim das contas é ele quem manda no setlist e eu vou tocar o que estiver ali.

Ainda sobre os shows, recentemente tivemos aqui no Brasil a confirmação de que vocês irão retornar à América do Sul em Maio. Estamos muito felizes com isso, uma vez que o show no Maximus Festival foi incrível! Você tem boas lembranças deste show?

Sim! Nos divertimos muito.

Você lembra quando um pessoal começou a cantar Cupid Carries a Gun e vocês começaram a tocar. Não sei se você ouviu, mas fomos eu e uns amigos que fizemos aquilo (risos)

(Risos) Sim! É muito legal quando isso acontece. Recentemente a gente começou a tocar KILL4ME, nos últimos três shows que fizemos e o público cantou tão alto que eu mal conseguia ouvir a voz do Manson. E foi legal de ouvir. Você tem de entender que isso não tem a ver com dinheiro para ele. Ele não liga pra isso, enquanto ele conseguir sobreviver ele não liga! (Risos). Ele se importa em ser um artista e viver sua vida. E estar apto a criar novas músicas, apresentá-la ao seu público e vê-los cantando é muito bacana para ele. É tipo um soco no estômago quando as pessoas só ficam animadas com o material antigo e notamos isso especialmente com o disco novo.

Estávamos tocando três músicas antes mesmo dele ser lançado na turnê que fizemos pela Europa no verão e o público respondeu muito bem, e isso é um bom sinal porque se você ama esse artista, você quer que ele continue criando e estando nesse propósito ao invés de lançar camisetas! (Risos)

(Risos) Sim! Em outra entrevista recente você disse que se tivessem câmeras em seu estúdio durante a gravação do The Pale Emperor, isso seria o maior reality show de todos os tempos! Você pode compartilhar alguns momentos marcantes das sessões do The Pale Emperor e Heaven Upside Down? Os que você puder falar sobre, claro!

(Risos) Não posso falar nada em específico porque qualquer coisa que aconteça dentro do meu estúdio é sagrado, tipo, você raramente vai ver uma foto minha com alguém. Quero que as pessoas saibam que quando elas vierem até o meu espaço, ele será bastante confortável e eles não vão precisar se preocupar. Eu sou um profissional, sabe? Não preciso catalogar a minha vida com fotos.

Coisas muito doidas aconteceram, mas é sempre divertido. Nada…

Caótico.

É, nada violento ou algo assim. O Manson e eu somos como irmãos, a gente se dá muito, muito bem e na maior parte do tempo estamos rindo. É isso que ele quer; me ver rindo e se divertindo. Mas é isso, aconteceram umas coisas doidas, mas de uma maneira muito engraçada. Mas não seria justo nomear quem estava no estúdio ou o que aconteceu, mas foi bem divertido.

Sempre que as pessoas te perguntam sobre como você e o Manson se conheceram, você diz que foi no Californication e tal - o que é uma ótima história, sem dúvida. Mas além disso, você diz que foi convencido pelo Manson a entrar para a banda e, com isso, você montou a nova formação. Foi ideia sua manter essa mesma formação para o Heaven Upside Down? Porque, não sei se você sabe, mas a última vez que o Manson teve os mesmos caras na banda ao vivo por dois álbuns seguidos foi em 2000, quando o Holy Wood saiu, então isso é algo bem grande.

Eu, o Gil e o Paul já éramos amigos antes do Manson. O Paul eu conheço há muitos anos.

Antes mesmo de eu tocar com a banda, o Manson me ajudou a montar essa formação, então sabe, eu conhecia o Paul e sabia que ele seria um ótimo integrante e o Gil é um baterista incrível e ele já conhecia o repertório do Manson e estava muito animado.

No The Pale Emperor, o Gil tocou todas as partes dele em um dia, o que é marcante, especialmente se for considerar que há muitos shuffles e essa é uma das levadas mais difíceis de serem tocadas depois de um tempo, tem que ter um groove para manter, é incrível.

Então, por todos serem amigos, ficou muito mais fácil para mim entrar e sair da formação, porque o Manson pediu para eu estar na banda o máximo que conseguir, mas ele também entende que eu estava fazendo o Guardiões da Galáxia e isso é muito importante e a gente tenta trabalhar isso e os caras são ótimos, somos próximos e acho que isso faz com que a turnê fique melhor, a performance fique melhor e todo mundo se diverte, sabe? Definitivamente é uma coisa muito mais próxima do que estava no passado no sentido de como a banda toca e como a relação de todos se desenvolve.

Todos sabemos que você é um músico de sucesso quando o assunto são trilhas sonoras. Há uma grande diferença na forma que você enxerga uma trilha ou uma música que escreve com o Manson? Eu li que você gosta de criar a música na sua cabeça e depois passar para os instrumentos. Você tem uma visão cinematográfica para ambos? Como isso funciona?

Acho que é mais uma sensibilidade. Não visualizo o filme que estamos fazendo enquanto escrevemos músicas juntos, porque trabalho com diretores e produtores e baseio meu trabalho em roteiros e aplico essa sensibilidade provavelmente no meu subconsciente para o Manson porque geralmente as músicas começam pelo que aconteceu em seu dia ou sei lá (risos), então a música começa a se formar na minha cabeça, daí começamos a tocar alguma coisa ou programar uma batida, passamos para o microfone e começamos a trabalhar nisso. Tocamos músicas juntos e uma música se forma a partir daí. Não é com ele vindo até o meu estúdio e a gente já tem a música. Uma vez que estou com ele, começo a trabalhar nos detalhes, é mais interativo com os vocais dele do que os vocais dele estando por cima de tudo.

Uma coisa que achei bem engraçada quando li foi quando você disse ao Manson que os vídeos para o The Pale Emperor eram inaceitáveis. E achei engraçado porque eu concordo com você, mesmo que não considere o vídeo para The Mephistopheles of Los Angeles tão ruim assim.

E também, você disse que o vídeo para WE KNOW WHERE YOU FUCKING LIVE era para ser diferente, mas o Manson acabou fazendo com outra abordagem. Qual foi a primeira ideia que você e o Manson conversaram sobre ele?

Eu ia dirigir uma van, na verdade. Seria uma versão mais caseira na minha perspectiva. Mas foi legal que pelo menos esse foi um vídeo de verdade. E SAY10 ainda é bastante superior, na minha opinião.

Mas sabe, no disco anterior você tem de entender: eu trabalho com os melhores diretores e cineastas (risos) da indústria do cinema, então foi bem difícil para mim explicar o porquê daqueles vídeos serem uma merda! E o Manson foi uma grande influência para os videoclipes por muitos anos, ele tem alguns dos melhores videoclipes, então foi bem difícil para mim ver aquelas músicas que trabalhamos duro não serem bem representadas nos vídeos.

Mas discutimos sobre isso nesse disco e ele levou a sério e acho que está acontecendo, ele está trabalhando nesses detalhes e as coisas estão indo bem, então está legal, estamos muito pelo agora e ficamos felizes de ver as coisas indo em uma direção positiva, tirando o problema que ele teve na perna, mas ele está se cuidando e está melhorando.

Você usa o mesmo equipamento para suas composições com o Manson e o trabalho com trilhas sonoras?

Geralmente eu uso equipamento e software semelhantes, embora trilhas para filmes e seriados seja um set completamente diferente, então a abordagem não é muito parecida. Por mais que eu aborde o processo de composição com qualquer artista que eu colabore de uma perspectiva de “contar histórias”, não estou trabalhando com um roteiro e mídia visual como uma referência específica para o meu trabalho, que é o que faço com os filmes e seriados.

Quanto aos equipamentos, eu uso o Pro Tools como meu DAW (digital audio workstation) principal. Gosto do Pro Tools para composição e gravação em particular. Também uso o Logic como uma das minhas plataformas de sample. O sampler EXS24 do Logic tem uma interface intuitiva que gosto muito. Tenho criado centenas, se não milhares de sons personalizados para o EXS24, então não vou abandonar o Logic tão cedo. Também uso o Cubase e VSL para a composição de orquestras, que tem sido um aspecto principal da música que o Manson e eu criamos até agora, mas tudo é possível indo adiante.

Você tem a mesma liberdade criativa quando está em estúdio com o Manson da mesma forma que tem criando uma trilha? Quais são as principais diferenças?

O Manson e eu criamos a música que queremos ouvir e tocar ao vivo. Temos a licença para criar o que desejamos, sem a influência de outras pessoas. Quando estamos no meu estúdio, eu geralmente escrevo a música na minha cabeça baseado em qualquer tópico que estejamos conversando na hora.

Considero o desenvolvimento das músicas e discos como um processo de curadoria, onde a composição de uma trilha sonora começa com o aconselhamento do diretor, e continua a mudança até sua forma final baseado em ajustes estruturais, desenvolvimentos visuais, dados derivados de teste de exibição - e tudo continua até o final do processo de criação do filme, e isso exige música para responder de acordo à essas permutações, do início ao fim. Musicalmente falando, é como pintar um mural ao lado de um trem bala em velocidade!

Além dos discos que você gravou com o Manson, você disse que não conhecia todo o catálogo dele antes de tocar algumas músicas ao vivo. Você já teve a chance de ouvir aos outros discos? Qual o seu favorito e por quê?

Do trabalho anterior do Manson, acho que gosto mais do Antichrist Svperstar. Não porque seja o seu melhor disco da época, mas é porque pareceu vir do nada em uma época que o rock sentia falta de uma identidade distinta após o falecimento do Kurt Cobain. The Beautiful People levou o conceito de videoclipe a outro nível - basicamente dizimando a galera sem graça do shoegaze que não tinha certeza da onde ir com sua música depois que o Nirvana acabou. Também acho que inspirou as bandas que prosperaram nos anos 90 depois do ACS.

O que você tem ouvido recentemente? Alguma banda ou artista em especial? SAY10 tem batidas de trap. Você gosta de rap/trap?

Na maior parte do tempo eu estou compondo, então não tenho tempo para ouvir muita música. Adoro todos os gêneros, mas geralmente ouço música que meus amigos estão fazendo. Manson me mostra muita coisa que do caso contrário eu não estaria ouvindo, o que é também uma parte divertida de trabalharmos juntos. Não me entenda mal, eu ouço música o suficiente para saber o que está acontecendo, e vou a vários shows, mas quando não estou em turnê, estou no estúdio gravando.

Você e o Manson já pensaram em gravar um disco (o próximo talvez) como uma banda completa, com o Paul, Twiggy e Gil em estúdio em tempo integral? Fiquei pensando sobre isso porque você disse a ele sobre gravar um vídeo com a banda.

Parte do motivo de que eu e o Manson trabalhamos tão bem juntos é porque o processo de gravação é íntimo e espontâneo, e não exige ninguém além de nós dois para criarmos o que quisermos. O Gil tocou nos dois discos, e a banda tem um grande impacto na forma como as músicas novas são apresentadas ao vivo, o que é muito importante. Acho que seria divertido gravar algumas coisas como uma banda ao vivo.

Por fim, estamos criando a música do Marilyn Manson, então o processo que for mais confortável e inspirador para ele é o mais importante. 

Uma coisa que achei bem legal e bonita vindo de você foi quando disse que você e o Manson tem uma colaboração bastante apaixonada. Fale mais sobre o que você sente sobre ele, pessoalmente e como artista.

O Manson e eu nos ligamos através da música, que de várias maneiras é como viajar com alguém. Você conhece de verdade uma pessoa quando viaja com ela. Acho que a química que compartilhamos nos inspira a fazer o que amamos fazer, e também traz o melhor de nós dois. Através da experiência que compartilhamos ao longo dos anos desenvolvemos uma ligação que é pautada em confiança, respeito mútuo e apreciação pelo outro como artistas, que é o núcleo do que somos como pessoas.

Você tem algum processo específico para começar uma trilha sonora? Ou depende do filme que você vai trabalhar? Como por exemplo assistir os primeiros minutos para sentir como ele é e então começar a trabalhar nas músicas.

Cada trilha para filme ou televisão começa com a leitura do roteiro e discussão da história com o diretor em grandes detalhes, então eu ganho um esclarecimento mais profundo das sensibilidades únicas do diretor, o que me ajuda a apoiar de forma mais precisa a sua história com a música apropriada, e isso é totalmente relacionado ao processo de emoção e de como a história é contada. Eu tento começar o processo o quanto antes porque aí posso escrever a música que o diretor vai usar na filmagem. Isso nos autoriza a experimentar com ideias antes do processo se tornar exponencialmente urgente no processo de pós-produção. Várias sequências dos dois filmes do Guardiões da Galáxia foram filmados à música original que escrevi a partir do roteiro ou sequências pré-animadas que foram desenvolvidas para coreografar com várias cenas dos filmes. No geral, cada filme tem seu processo.

Recentemente Manson disse que ele e o Trent Reznor fizeram as pazes, o que é ótimo. Mas na primeira entrevista que li sobre isso, o Manson diz que isso aconteceu através de você. Você falou com o Trent antes deles conversarem?

É, eu encontrei com o Trent em um evento que estávamos e ele perguntou como estavam as coisas com o Manson e eu falei, “Ei, cara, por que vocês não conversam?”. Ele mandou uma mensagem para o Manson do meu telefone.

Fazia muitos anos que eles não se falavam e eu também falei para o Manson. “Olha, ele é uma parte importante da sua vida, você deveria dar uma olhada de novo no trabalho que fizeram juntos e se sentir bem com isso. Tem um vão entre vocês, por que não conversam? Tenho certeza que em 30 segundos vocês vão se sentir diferentes sobre tudo, vão ficar bem e seguirem suas vidas” e eles fizeram isso. E eles se sentiram muito melhores.

Isso é algo que acontece quando você está em alguma banda que gosta muito ou trabalhando com alguém criativamente. Às vezes as coisas podem desandar um pouco, e uma conversa depois de um tempo pode deixar as coisas mais tranquilas, então acho que agora eles estão se sentido muito melhor quanto à amizade.

Falando no Trent, ele também é ótimo com trilhas sonoras. Você gosta do trabalho dele com o Atticus Ross? Já pensou em colaborar com os dois?

Eles têm uma colaboração própria, sabe? O Atticus tem coisas que apoiam a relação dos dois. É coisa deles, não quero atrapalhar a relação criativa das pessoas. Se eu fosse convidado a fazer parte de algo, eu consideraria, mas sinceramente eu tenho minhas próprias coisas acontecendo e felizmente tudo está indo muito bem. Eu não mexo com as outras pessoas! (Risos)

Você vai trabalhar no John Wick 3? As duas trilhas anteriores são sensacionais!

Obrigado! Eu fiz a trilha sonora dos dois primeiros filmes com o meu grande amigo Joel J. Richard, e tivemos ótimas experiências com o diretor Chad Stahelski. Não tenho a liberdade de comentar sobre futuros projetos, mas a oportunidade de trabalhar com o Chad é sempre bem vinda. Ele é a personificação da palavra “fodão”!

O que podemos esperar de você para os próximos trabalhos com trilha sonora? Vi que você estava fazendo a trilha para o seriado The Exorcist - e quero assistir o mais rápido possível.

O The Exorcist é muito divertido. Estou trabalhando nele agora. É assustador e divertido. As pessoas envolvidas são maravilhosas de se trabalhar então fico muito grato pela oportunidade. Estou animado para o lançamento do The Punisher no mês que vem. O Steve Lightfoot e toda sua equipe fizeram com que esse seriado fosse uma grande experiência também.

2018 parece um ano bastante ocupado para mim, então não tenho do que reclamar!

página: 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10 | 11 | 12 | 13 | 14 | 15 | 16 | 17 | 18 | 19 | 20 | 21 | 22 | 23 | 24 | 25 | 26 | 27 | 28 | 29 | 30 | 31 | 32 | 33 | 34 | 35 | 36 | 37 | 38 | 39 | 40 | 41 | 42 | 43 | 44 | 45 | 46 | 47 | 48 | 49 | 50 | 51 | 52 | 53 | 54 | 55 | 56 | 57 | 58 | 59 | 60 | 61 | 62 | 63 | 64 | 65 | 66 | 67 | 68 | 69 | 70 | 71 | 72 | 73 | 74 | 75 | 76 | 77 | 78 | 79 | 80 | 81 | 82 | 83 | 84 | 85 | 86 | 87 | 88 | 89 | 90 | 91 | 92 | 93 | 94 | 95 | 96 | 97 | 98 | 99 | 100 | 101 | 102 | 103 | 104 | 105 | 106 | 107 | 108 | 109 | 110 | 111 | 112 | 113 | 114 | 115 | 116 | 117 | 118 | 119 | 120 | 121 | 122 | 123 | 124 | 125 | 126 | 127 | 128 | 129 | 130 | 131 | 132 | 133 | 134 | 135 | 136 | 137 | 138 | 139 | 140 | 141 | 142 | 143 | 144 | 145 | 146 | 147 | 148 | 149 | 150 | 151 | 152 | 153 | 154 | 155 | 156 | 157 | 158 | 159 | 160 | 161 | 162 | 163 | 164 | 165 | 166 | 167 | 168 | 169 | 170 | 171 | 172 | 173 | 174 | 175 | 176 | 177 | 178 | 179 | 180 | 181 | 182 | 183 | 184 | 185 | 186 | 187 | 188 | 189 | 190 | 191 | 192 | 193 | 194 | 195 | 196 | 197 | 198 | 199 | 200 | 201 | 202 | 203 | 204 | 205 | 206 | 207 | 208 | 209 | 210 | 211 | 212 | 213 | 214 | 215 | 216 | 217 | 218 | 219 | 220 | 221 | 222 | 223 | 224 | 225 | 226 | 227 | 228 | 229 | 230 | 231 | 232 | 233 | 234 | 235 | 236 | 237 | 238 | 239 | 240 | 241 | 242 | 243 | 244 | 245 | 246 | 247 | 248 | 249 | 250 | 251 | 252 | 253 | 254 | 255 | 256 | 257 | 258 | 259 | 260 | 261 | 262 | 263 | 264 | 265 | 266 | 267 | 268 | 269 | 270 | 271 | 272 | 273 | 274 | 275 | 276 |









19.11 @ Tip Sport Arena
20.11 @ Gasometer
22.11 @ Pala Alpitour
23.11 @ Samsung Hall
25.11 @ Velodrom - UFO
27.11 @ Accor Hotels Arena
28.11 @ Klokgebouw
29.11 @ Mitsubishi Electric Halle
01.12 @ Zenith
02.12 @ Forest National
[ ver mais ]

KILL4MESAY10We Know Where You Fucking LiveMarilyn Manson - Prêmio de Ícone pela Alternative Press (2016) Third Day of a Seven Day BingeThe Mephistopheles of Los Angeles


ver +

facebook.com/marilynmanson
marilynmanson.com
twitter.com/marilynmanson


2008 - 2017 ® Marilyn Manson Brasil | Todos os Direitos Reservados