Nossa saga com o ícone enigmático Marilyn Manson continua com a terceira parte de nossa entrevista exclusiva. Postamos nossa discussão com o Manson sobre seu próximo álbum, Born Villain, nas duas primeiras partes da nossa introspectiva com o artista, e continuamos no novo território na parte três.

Neste capítulo, perguntamos ao Manson como sua aparição no documentário Tiros em Columbine mudou a percepção pública do artista e como o conceito do "vilão" atua como o alicerce para a última transformação do Manson.

Manson cumpriu seu tempo como o cordeiro da mídia, seguindo uma das tragédias mais publicadas da América. Aqueles que procuram por respostas rápidas e fáceis às complexidades das mentes adolescentes por trás de eventos como o tiroteio em Columbine, imediatamente rotularam o Manson como o vilão - muito como o Judas Priest, Twisted Sister e Ozzy Osbourne no passado.

Conversamos com o Manson sobre o assunto, seu pensamento sobre o Tiros em Columbine em si, sua adaptação do conceito de "vilão" e muito mais. O Loudwire apresenta nossa discussão com o Marilyn Manson abaixo:

Quando você apareceu no Tiros em Columbine, pareceu que foi um tipo de catalista pela maneira como o público te percebeu. Repentinamente, o que falavam do Marilyn Manson era que você era uma pessoa inteligente e solícita. Você vê algum paralelo entre esse tipo de mentalidade automatizada e a mentalidade daqueles que rapidamente apontaram o dedo pra você em eventos como o Columbine?

Bem, isso mostra como... Eu disse antes - as pessoas não sabem o que eu passei naquele dia e eu dei aquela entrevista, porque aquela entrevista durou umas duas horas e meia e foi antes de eu ir até um estádio após muitas ameaças de morte e eu tinha uns 30 policiais me vigiando. Eu sabia que ir para aquele estádio - todos que me conheciam disseram pra eu não fazer isso e eu tinha que fazer. Se você não consegue viver sem o que você faz, então você tem que morrer por isso. Eu não quero morrer, mas eu tive que fazer.

Isso é o que se passava pela minha mente quando eu dei aquela entrevista. Eu não necessariamente gosto do filme, e é engraçado porque eu fiz uma aparição no filme A Estrada Perdida, por exemplo - é o meu filme favorito do David Lynch.  Não sou egoísta, mas concordo com você que o que você disse sobre o Tiros em Columbine criou uma janela - um catalista que abriu toda uma nova maneira das pessoas olharem para mim. Depois disso eu fiz o The Golden Age of Grotesque e eu tive minha habilidade e confiança para dizer - e acho que foi um dos meus períodos mais criativos até agora - [que] ao invés de ser destruído por tudo isso, eu fiquei mais forte. As pessoas gostam de coisas como a adversidade, algo que seja o homem contra a natureza ou qualquer coisa assim.

Eu não fiz nada de errado. Minha maior pergunta sempre foi, "As pessoas acham que a minha música fazem as pessoas matarem? Por que elas não estão preocupadas com o que eu vou fazer?" (risos). Tenho 36 culpas por tiroteios em escolas na bagagem... e meu pau na bagagem, também (risos). Se eu conhecesse as pessoas pessoalmente, eu ficaria triste, mas eu não vou levar para o lado pessoal. O que eu vou pegar é o fato de que a vida é mudança, e o vilão é sempre o catalista, o vilão é sempre a pessoa que cria algo diferente na história. E não quero dizer "vilão" no sentido de que as pessoas talvez definam como o "cara mau", não estou dizendo o "cara mau".

Quando eu digo "vilão", eu quero falar no sentido tradicional como em Macbeth ou algo assim. O herói não faz nada nas histórias, e não precisei ir para a escola para aprender isso, foi só pelo fato de eu ser um fã da literatura e filmes. O vilão é a pessoa que tem a chance de mudar algo. Ele talvez quebre as regras, mas essa é a coisa, às vezes, se você não quebra as regras, você não vai salvar nada, você não vai mudar nada.

Se alguém ameaça o que eu amo ou me importo, e foi o que fizeram no passado. Tudo foi tirado de mim, e agora eu me sinto na mesma posição do começo, onde eu não vou ser ignorante e teimoso, e eu sou com frequência, e alguém ameaçar minha família ou coisas que eu me importo - minha garota, meus gatos, minha vida. Às vezes o instinto masculino é fazer algo estúpido, mas eu mataria alguém se tivesse que fazer isso, mas ao mesmo tempo eu não estaria os protegendo porque estaria na prisão ou morto, então isso não é algo inteligente. Preciso ser um fora da lei, preciso ser um vilão, preciso ser a pessoa que você não quer se meter, então as pessoas não se metem no que eu faço. Isso é o que eu comecei a ser quando eu, por algum motivo, tive uma hesitação porque eu estava essencialmente esmagado por várias coisas. Eu comecei a perder minha identidade e todos podem se relacionar com isso. Se você perde o que você é, então o que você tem?

Fique ligado para a quarta e última parte de nossa entrevista com o Marilyn Manson, onde ele fala sobre o West Memphis Three.










Cry Little SisterTattooed in ReverseKILL4MESAY10We Know Where You Fucking LiveMarilyn Manson - Prêmio de Ícone pela Alternative Press (2016)


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