“Eu estava com uma garota uma vez, e ela realmente me perguntou, ‘Você tem uma camisinha?’”

Conta Marilyn Manson enquanto ele senta com a ShockHound em um hotel em Hollywood para falar sobre seu novo álbum, "The High End of Low “. E eu disse "Eu tenho cara de quem tem uma camisinha?". Essa deveria ser a menor das suas preocupações . Eu sou muito pior do quê o quê o você vê de mim por aí”.

 

Ok então, novo ano, novo cd, mesmo Marilyn Manson. Depois de novo, talvez não. Nos dois anos desde o lançamento de seu ultimo álbum, Eat Me, Drink Me, Manson resistiu a uma feia e bem publicada separação com a atriz Evan Rachel Wood e com o anterior KMFDM, o baixista Tim Skold, que vinha sendo seu principal colaborador musical desde 2002. Ambos os rompimentos deixaram sua marca no The High End of Low, o qual marca a volta de Manson com seu “parceiro de crime” de longa data, (musicalmente e entre outras coisas) Jeordie White, ou Twiggy Ramirez, que trabalhou com uma variedade de outras bandas, incluindo A Perfect Circle, Nine Inch Nails e sua própria banda Goon Moon, desde que saiu do Manson em 2002.

Talvez a reunião Manson-Twiggy criou um CD cujas músicas frequentemente parecem mais pretendentes a recapturar o glorioso glam rock do Mechanical Animals, de 1998, do que quebrar algum novo estilo musical. The High End of Low recebeu variadas críticas, algumas acusando Manson e sua música de não ter mais o poder de chocar e provocar quanto eles faziam uma década atrás. E enquanto o CD debuta em 4º lugar no ranking da Billboard 200, sua primeira semana de venda foi a menor de todas as dos outros álbuns de Manson desde 1999, com The Last Tour On Earth.

Tudo igual, parece um pouco prematuro consignar Manson ao time do “ter-sido” a este ponto. Os primeiro dois singles do álbum, "We're From America" e "Arma-Goddamn-Motherfuckin-Geddon," são tão estimulantes quanto uma caneca de ácido jogada no rosto, e ele certamente não é o primeiro roqueiro provocador a ser acusado de ter “perdido isto”;  é só perguntar à David Bowie, uma das principais influências de Manson, que já foi considerado de ter “perdido” várias vezes somente para voltar com um novo arrendamento artístico em sua vida. As manchetes de Manson limitam-se a iminente Rockstar Energy Mayhen Tour, que ainda parece ser um dos mais vistos eventos de verão, e esta exclusiva e extensa entrevista com ele prova: O homem absolutamente não perdeu nada da sua sagacidade fraca ou o seu talento para ocasionalmente jogar o conceito "firebomb."

 
SHOCKHOUND: Então, quem é você, afinal?

MANSON: Esta é provavelmente uma pergunta muito ampla, quero dizer, obviamente se eu fosse além da roupa, tem meu nome cristão, mas isso não se enquadra. Eu acho que depende de onde eu estou neste momento. Eu escrevo e crio arte e faço declarações para pessoas que eu conheço, e eu passo a maior parte da minha vida no palco ou na frente de uma câmera falando com estranho, então é um pouco confuso. Eu decidi, preferi ME separar do mundo e viver em um mundo de fantasia. Eu já faço isso.

Se alguém a este ponto está questionando se eu sou louco ou não, se é um ato, ou um ato de Deus, ou um crime ou o que quer que seja... Será. É o que é. Este é o show, sendo eu. Eu estou tanto dirigindo, quanto atuando, ou assistindo, mas é só Marilyn Manson e esta é só a palavra mais simples para isso. Se você quiser a versão mais longa, você vai ter que fazer sexo anal comigo. 

SHOCKHOUND: Obrigado, mas eu passo. O que as pessoas podem esperar do seu mais novo álbum, The High End of Low?

MANSON: Eu acho que as pessoas que já são fãs das coisas que eu fiz podem esperar o que eu vim para realizar agora através de uma terrível realidade: Que eu posso fazer coisas sozinho, e Twiggy fez coisas sozinho, mas ninguém consegue fazer o que nós fazemos juntos.

Tudo acontece por uma razão, e eu acredito hoje nisso mais que nunca. Eu e ele voltamos um na vida do outro no momento exato. Ele estava vivenciando, provavelmente um ano depois de mim, um trauma emocional relacionado à uma garota.

Eu gosto de considerar o científico, não o religioso, mas se Deus fez Adão e tirou uma costela para fazer a mulher, e então a mulher transou com a cobra, isso só vai continuar se repetindo. Você precisa aprender como se tornar a cobra, este é meu conselho. Então eu vi o Twiggy, e eu desejei tê-lo comigo quando estava no mesmo lugar que ele está, mas para mais do que fazendo uma música, ou estando junto na banda, eu o queria para estar lá como seu melhor amigo. E isto aconteceu tanto que qualquer coisa que ele fez enquanto nós estávamos separados, ele se tornou melhor e mais capaz de expressar suas emoções através de um instrumento. Eu acho que eu me tornei mais atento à perdas. Eat Me, Drink Me é um cd difícil para eu ouvir agora, não por que me deixa triste, ele só me lembra de uma época em que eu era uma pessoa quebrada tentando me consertar. Eu estava me prendendo a um conceito Shakespereano “Se o mundo não consegue me aceitar, e eu estou apaixonado, então vamos morrer juntos”, e hoje eu olho para trás e vejo como covardia. [The High End of Low] começa com a música “Devour”, e foi uma música muito difícil de se chegar.

Fazer o CD foi muito fácil, uma vez que as coisas vão fluindo. Nós nem desfizemos as malas quando começamos a escrever as músicas. Quando eu digo “nós”, eu quero dizer a maior parte Twiggy e [o tecladista] Chris Vrenna, que fez papel de adulto em alguns casos, porque ele tinha que tocar teclado e tinha que acalmar o caos que acontecia. Nós queríamos as coisas bem brutas. Tudo era instinto inicial, de primeira, sem pensar duas vezes. Se der certo, por que questionar? Por que repensar? A atitute de, "O que eles vão fazer? Devolver? O que você vai fazer? Me castigar? Tem alguma coisa pior do que onde eu estou agora que poderia acontecer? Existe alguma prisão pior do que a que estou?"

“Devour” se tornou a primeira música. O álbum está na ordem em que eu canto. A maior parte eu comecei a cantar em Novembro depois que meu relacionamento se desintegrou, e também foi tipo um “nascimento” do Twiggy e eu voltando a estarmos juntos. Foi quase como se o tempo não tivesse passado. Nós ainda estávamos terminando um a frase do outro. Não é como um irmão, não é como um parceiro de uma vida toda, não é como uma amizade ‘Jonas Brothers’ ou o que for essa merda. É algo indescritível, e que só se manifesta na música, e este é o CD que nós sempre quisemos fazer...

No Começo do CD, eu era uma pessoa que confundia amor com dependência e, eu acho, as desejava com fraqueza. Ao final do CD eu já não era a mesma pessoa. Pode ser autobiográfico, mas é somente por que eu entendi que eu não posso criar histórias mais idiotas que a minha própria. E para as características da minha vida, não preciso imaginar ou criar metáforas. Mas ao mesmo tempo, tenho uma história que todos podem se identificar. Eu não quero contar uma história sobre meus relacionamentos pessoais, eu quero contar uma historia sobre ser uma pessoa que quer tentar ser um ser humano e acha que é assim que todo mundo se sente. Eu não estou tentando ser o último forasteiro... Eu só queria ver, “o que eu nunca mais terei que falar?” e eu não sabia.  Então sobre a música “15”, se você disser para mim agora “E vou te amar até nós morrermos” e você mudar de idéia... CORRA, ou eu vou matar você, e isto é tão não-metafórico quanto eu digo que é.

SHOCKHOUND: Eu li uma entrevista recente onde você mencionou que este é o primeiro CD que você fez vivendo sozinho. Eu estou curioso a respeito de como estar sozinho impacta sobre a música.

 
MANSON: Então… a parte cantada dela. Nós começamos o CD e foi cerca de três meses fazendo as músicas, e eu estava recém saindo de uma turnê, o que é um incrível redemoinho. Sendo o caos que é, tem um “quê” de ordem nele. Eu ganho um pedaço de papel todos os dias que diz “Isto é o que você vai fazer hoje”, e quando eles me liberam no desconhecido, eu sou como um animal selvagem e não sei o que fazer. Junto a um relacionamento que foi criado e formado naquela circunstância, é limitada a destruição quando você vê com quem você é realmente casado. Tecnicamente, eu sou casado com o que eu faço, e isso inclui Twiggy. Eu sei que casamento gay é ilegal na Califórnia, então não é isso, embora você saiba claro, há rumores e vídeos provando o que poderia ser considerado comportamento homossexual, mas não houve ereções. Então considero que foram apenas negócios, não prazer.

Isto sou eu fazendo graça sobre o que houve em minha vida. Eu tive que olhar para trás e ver que foi realmente uma época difícil. Obviamente se você quiser saber o que aconteceu desde a última vez que eu não falei com ninguém, você deve escutar o CD e você vai ouvir como você quiser ouvir. Você não ouve como Eat Me, Drink Me, você apenas escuta se colocando dentro disso. É um filme. Quando eu assisto a um filme, eu quero ser o personagem. Eu sempre quero ser o vilão. As pessoas sempre dizem “você tem responsabilidades, pois é um modelo para os outros”. Modelo é manequim. Eu sou um vilão. Você tem que foder tudo, você tem que ser ruim, você sofre muito abuso, mas os vilões são sempre os que no final, atraem a mulher danificada. Acho que é isso que eu sou, eu imã de danos. Isso significa que eu sou uma pessoa danificada.

Então, é isso que eu e Twiggy temos em comum. Somos vítimas, mas não queremos ser vitimados. Eu faço música para pessoas que são vítimas e isso não é para ser dito de um modo light, mas eu tenho que fazer isso mais light por que eu não quero ser sério nessa era de “emo”, onde isso se torna apenas mais um cartão da moda em uma loja onde você procura a seção que você quer estar... emo, rap, suicida, etc. Eu estou ali, estou no “etcetera” [risadas]


SHOCKHOUND: A reportagem da Rolling Stone sobre o The High End of Low o censurou, dizendo que há elementos deste CD que teriam sido considerados chocantes 10 ou 15 anos atrás, mas agora eles não. Mas a esse ponto até suas intenções estariam sendo chocantes?

MANSON: Eu nunca achei que isso fosse chocante, mas se eles estão se dando ao trabalho de falar sobre isso... O que eu aprendi como escritor e por que eu desisti de ser escritor, sem ofensas aos escritores, apenas escolhi escrever ficção ou sobre mim mesmo, é muito mais fácil zombar de algo e fazer parecer engraçado em um artigo do que elogiar, por que [se você elogiar] parecerá que você está sendo puxa-saco, pelo menos eu acho. Até onde eu sei, ninguém está escrevendo uma música chamada “Pretty As A Swastika”. A gravadora queria que eu a tirasse do CD... Mas para mim é uma das coisas mais românticas e interessantes. "Isso é um elogio? O que é isso? É politico?" Eu não sei. Não é nem mesmo um símbolo. Então quando eles disseram que eu os tolerava eles me inspiraram a ir a fundo nisso tudo. Eu faço algo, e quando eu terminar de fazer, felizmente pelo modo como o mundo funciona agora, eu posso simplesmente dar isto ao mundo. O que vem em uma caixa de plástico e está em uma loja... Eu não dou a mínima para o que seja. Eles podem mudar isso. Eles podem fazer o que eles quiserem. Se eles são alérgicos ao dinheiro e eles não querem, tanto faz. Então, sem “Swatika” e eu disse “Ok... Pretty as A Dollar Sign” (bonito como um cifrão), por que esse é o fascismo deles agora. Não há nada mais fascista hoje que dinheiro. Todo mundo sabe disso.

Eles essencialmente querem criar um novo palavrão. Eu não estava usando um símbolo. Eles tentaram dizer “bem, certamente a Alemanha não irá tolerar isto”. Eu  respondi “bem, sem ofensas...”,  (e eu adoro dizer “sem ofensas”, pois você pode dizer “Sem ofensas, mas você é um paga pau”. É tipo um free pass para “Sem ofensas, mas você pode ir se foder) sem ofensas, mas na Alemanha ‘swastika’ é uma palavra Americana. É uma palavra totalmente diferente lá. Então fodam-se vocês e todo o resto”.

Mas eu estava entusiasmado para fazer o cifrão por que minhas escolhas eram de fazer artisticamente, e a deles era fazer financeiramente. Eles realmente me permitiram fazer uma grande declaração, por que inicialmente a declaração era feita pessoalmente: Eu acordei uma manhã ao lado de uma garota que tinha cabelo preto, batom vermelho e era bem branquinha e disse “Você é tão bonita quanto uma suástica”. Isso foi charmoso suficiente para ela se insinuar, eu não diria atos indescritíveis, nós sabemos o que eles são... Não precisamos descrevê-los.

Então, se isso funcionou, por que não funcionaria com o resto do mundo? Quem é o nazista que está tentando me censurar? [risadas] Olha só, eu fiz alguém pensar. Eu fiz alguém pensar o suficiente para escrever uma frase [na Rolling Stone] e foi provavelmente pobremente construída, acredito eu. Em todo caso, não estou tentando ser chocante. Estou tentando ser Marilyn Manson e até que alguém faça o que eu faço, eu vou me destacar... Eu realmente não estou nem aí.

Estas novas bandas... Se você quer fazer o que eu fiz, olhe, eu estou fazendo o que outras pessoas fizeram. Eu me inspirei em David Bowie, Prince, Madonna, Alice Cooper... Mas eu não tenho problemas em dizer isso. Eu só “experimento” eles e faço meu próprio estilo. Salvador Dali disse alguma coisa próxima a “qualquer um que não rouba e faz algo próprio, não é um artista.” Não existe nada novo abaixo do sol, só novos modos de destruir o que já existe. Como um artista, você cria coisas, e algumas vezes na criação você destrói coisas. Apenas deve estar consciente disto. Eu quase desisti da música por que estava tão perturbado e frustrado pois não consegui lidar com o fato de ser tratado como objeto, um produto que existe em uma loja; não no sentido de “quem sou eu?”, mas no sentido de que eu estou tão cansado de quebrar meu coração que quiseram me censurar para este CD, que acaba indo para dentro de lojas que vendem armas, mas o problema mesmo era eu dizendo “fuck” . O que eu realmente digo. Mas nesse CD eu disse “Fuck it All”, tentei usar mais ainda o Fuck.

SHOCKHOUND: Como em “Arma-Goddamn-Motherfuckin-Geddon”, por exemplo?

MANSON: eu realmente dei meu melhor para fazer uma música que eles ficariam bravos, por que ouviram a música [sem a letra] e ficaram tipo “oh Manson! Isso vai ser um hit!” e eu fiquei tipo “ah, fico feliz que você não teve consideração nenhuma com o que eu coloquei em cima disso, então eu vou em frente e vou te dar um grande saco de pintos por esta daqui”. Eles decidiram desistir, então eu tenho algum respeito por eles terem tentando isso.

SHOCKHOUND: Conte-nos sobre “We’re from America”.

MANSON: Todo mundo acha que esta é a minha música mais política no CD. Eu escrevi na semana em que eu votei, o que foi uma experiência incrivelmente esclarecedora. Eu não tenho licença de motorista, e nem deveria, de maneira alguma eu deveria ficar atrás de um volante, a não ser que esteja estacionado e tenha a cabeça de alguém no meu colo. Eu só apareci lá e perguntei “posso votar?” e eles pediram “quais são suas credenciais?", eu resmunguei alguma coisa e eles disseram “tudo certo, é ali”. Eu filmei e votei. Eu não entendi direito, eu só sabia que queria votar para presidente e votar contra o ..... olha, eu não defenderia casamento, por que eu tive uma péssima experiência, mas isso não significa que eu não me casaria de novo. Mas vi que se casamentos gays são uma grande questão, deixe que se casem para que eles sofram como eu sofri, e eles vão perceber sozinhos o que estou falando. Eles não vão nunca votar para isso de novo. Então, eu quis votar para eles e para nenhum outro porco cagar tudo. Eu só fui e votei. Eu estava bêbado, pois é assim que você deve votar. Mais tarde naquele dia eu voltei ao estúdio. Eu deveria ter trabalhado das 22h às 4h, mas normalmente só apareço lá pelas 3:45h, e a maioria dos vocais ficaram prontos de primeira. Isto não significa que não foram trabalhados, só significa que foram bem imediatos e muito instintivos. Eu poderia ter ido longe demais em  “We’re from America, we’re this, we’re this,” mas eu achei que o mais importante fosse as primeiras coisas que eu disse: “Where Jesus was born, where they let you cum on their faces, where we eat our young and where we speak American.”
Não era por que eu queria fazer uma declaração da América, e era por que a aquele ponto do CD toquei todas estas musicas para os meus amigos e eles ficaram tipo “Wow, você realmente fodeu com tudo Manson, o que te deu?”; e eu disse “eu sou da America” [I’m from America]

Acho que isto é mais do que ímpeto para a música ser política. “We’re from America” vem mais depois no CD, por que você tem que ouvir o que tem antes para realmente apreciar como ela se encaixa no esquema da minha mente. É estranho. Eu não a teria escolhido como o primeiro single. Minha escolha para o primeiro single teria sido “Four Rusted Horses”, por que acho que ela representa o CD ao máximo, e é com isso que eu vou abrir a turnê. Eu me entreguei agora pra você.










Cry Little SisterTattooed in ReverseKILL4MESAY10We Know Where You Fucking LiveMarilyn Manson - Prêmio de Ícone pela Alternative Press (2016)


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