Manson foi entrevistado pela revista francesa Rock One e falou, entre outras coisas, sobre o vídeo para I Want to Kill You Like They Do in the Movies e o filme Phantasmagoria.

     

     

Rock One No 55
Marilyn Manson; entrevista por Noemy Langlais

Rock One: No “Eat Me, Drink” você nos mostrou o lado mais emocional do Brian Warner. Você tentou ir nesse destino com o “The High End of Low” ou criou uma nova personagem, como fez na maioria dos seus discos anteriores?

MM:
Com meu último álbum “Eat Me, Drink Me” era difícil de entender quem eu realmente era. Frequentemente tenho problemas escutando-o. Há apenas uma única música, “If I Was Your Vampire”, que eu talvez tocaria de novo, porque representa uma parte da minha vida, uma pessoa destruída que tenta se reconstruir. O novo álbum é mais sobre estar em um relacionamento fraternal, uma amizade que eu compartilho agora e eu costumava compartilhar no passado. Musicalmente, há coisas que eu fiz sem o Twiggy que sou orgulhoso, e ele seguiu seu próprio destino. Ambos cresceram sem um ao outro quando deveríamos ter crescido juntos como irmãos. Agora estamos de volta. Fizemos esse álbum juntos, e é algo que não poderíamos fazer separadamente. De uma certa maneira, é o álbum que sempre sonhamos em escrever.

Rock One: Como esse irmandade brilhou através do álbum?

MM: A composição desse álbum começou quando Twiggy começou a tocar e escrever músicas que não soavam como nada que ele tenha feito no passado. Esse álbum tem as características de tudo que ele ama, de todas suas influências, mas sua atitude foi diferente. Pensei que ele talvez estivesse atrás de mim, que ele expressou sua dor em suas composições porque, exatamente como eu, ele teve que ir através dessa batalha emocional, mixando perda, amor e romance. Ele é como meu irmãozinho. Quando ficamos longe um do outro, dissemos a nós mesmos que tínhamos que crescer, conhecer pessoas... quero dizer, mulheres, claro. E ele foi diante da mesma situação que eu. Nós temos a mesma sensibilidade, mas ele esconde isso por seduzir mais mulheres. Quando nos encontramos de novo, percebemos que havia um profundo vazio em nosas vidas que tivemos que entender. Ter um amigo lá enquanto escrevia o novo álbum é o que senti falta para o “Eat Me, Drink Me”. Meu companheiro naquela época (Tim Skold) que substituiu Twiggy, não estava apto a pegar inspiração do seu universo (do Twiggy) porque ele não pertencia a isso. Nós estamos escrevendo música de um ponto de vista diferente, vem do coração. Meu relacionamento com meu ex-companheiro foi mais financeiro do que espiritual. Quando eu escuto a música do Twiggy, soa exatamente como se eu tivesse sido uns do que escreveram, não porque soa mais como o cara do coração partido, mas também porque às vezes é violenta, às vezes é confusa.

Rock One: Ano passado você mencionou que queria trabalhar com artistas como Kerry King, James Iha, Wes Borland. O que aconteceu?

MM:
Esse álbum é resultado do Twiggy, Chris Vrenna e eu. E no final, foi decidido que o teclado poderia ser premiado ao Ginger, que está normalmente na bateria. Para mim, foi muito importante manter a unição daquelas quatro pessoas que se conhecem por quinze anos, que desejaram escrever juntos o álbum de suas vidas. Talvez eu colabore com outros artistas no futuro, mas aquelas pessoas estarão aptas a beber absinto exatamente como eu! Eu também tenho que conhecê-los pessoalmente. Então veremos.

Rock One: Quem será o novo guitarrista?

MM:
Twiggy será nosso guitarrista para a próxima turnê. No álbum ele tocou ambos, baixo e guitarra, e eu acho que ele é o guitarrista que Marilyn Manson precisava ao vivo. Foi uma escolha difícil, mas acho que ele é melhor como guitarrista porque é seu primeiro instrumento. Nosso baixista chama-se Andy.

Rock One: Qual a relação entre o filme de Kurosawa (High and Low) e seu novo título? Em que extensão esse filme te influenciou?

MM:
A relação entre os dois só apareceu depois porque eu não assisti antes de escrever as letras do The High End of Low. Veio como uma surpresa como eu realmente gosto desse diretor. O título veio naturalmente. Há uma e várias interpretações. Vim com isso antes de escrever as letras, antes do ano novo. Naquele tempo, estava isolado de todos, amigos ou membros da banda. Após os feriados, nos encontramos e alguém me perguntou uma vez como eu estava me sentindo e eu respondi: “Bem, alcancei o grande fim do escasso”. Tendo dito isso, o título estava quase ali e me fez rir. Disse a mim mesmo que seria o título e todos concordaram. Alguém também sugeriu: “Tem certeza que não é o escasso fim do alto?” The High End of Low é muito bíblico, muito emocional e muito destrutivo também no sentido de que você aceita a posição e percebe que pode ser o melhor. Isso é o que tentei alcançar com esse álbum.

Rock One: O que a primeira faixa significa? É relacionada ao título do seu álbum anterior?

MM:
Acho que é, em um sentido inconsciente, desde que a música pega o que eu deixei com o Eat Me, Drink Me, como os títulos estão na ordem cronológica. Vou te dizer mais do que eu desejaria: A música é sobre adorno do que eu acreditei ser um sonho romântico irreal, uma falsa promessa, um capricho Shakespariano. No tempo do Eat Me, Drink Me, eu estava com uma garota que me fez realmente acreditar que eu poderia... Vamos colocar isso de outra maneira. Naquele ponto, o conceito era: “Se o mundo não pode nos entender, então vamos morrer juntos” Apesar de ser estúpido e destrutivo, é uma tragédia que sou fã. Estava em um estado onde eu pensei que não pudesse viver um romance como me prometi com o Eat Me, Drink Me. Então Devour é sobre uma história verdadeira e foi apenas escrita porque foi um sonho que não tornou-se realidade. Tal foi a situação: Uma discussão entre eu e minha então namorada. Não quero falar sobre isso porque ainda é dolorido. O romance evocado no Eat Me, Drink Me foi baseado em uma realidade que não funcionou por causa do mundo ao redor e a pressão que gera. Fiquei em torno disso e então sugeri: “Se você cometer suicídio por mim, então me matarei também. Faremos isso, mas você fará primeiro porque não confio em você”. Escrevi essa música, a gravação do álbum começou e nosso relacionamento terminou, não por causa dessa música, mas sim por causa da minha evolução pessoal. Posso lutar e morrer pelo que acredito, mas não vou acreditar em alguém que não acredita em mim. Cheguei a conclusão que tive que crescer, porque ainda sou uma criança.

Rock One: E sobre o vídeo para I Want to Kill You Like They Do in the Movies?

MM:
Originalmente gravei dois videos diferentes. Gravei um monte de material que atualmente estou tentando editar juntos. Alguns deles serão usados para músicas e outros para projetos diferentes/estranhos. Gravamos um vídeo que foi  financiado pela gravadora, então eles tentaram comprometer/interferir na minha versão artística.
Então hoje, eu não considero Arma-Goddamn-Motherfuckin-Geddon meu melhor exemplar de arte visual. Até o vídeo da I Want to Kill You Like They Do in the Movies é pesaroso, eu gravei com uma atriz Inglesa e também dirigi algo brutal que provavelmente nunca será lançado por razões legais com a minha ex, Evan Rachel Wood. Nada está determinado agora. É um retrato violento que eu gravei em um take. Os expectadores terão que fazer suas próprias mentes, depois de assistir, onde eles aguentam com isso. Eu o assisti e é bem perturbador porque você pega uma “prévia emocional” do nosso relacionamento. Minha casa tornou-se algum tipo de set de gravação perpétua e estou muito feliz com tudo que gravei lá; Por essa razão, vou também gravar um vídeo para Pretty as a Swastika. Veremos como tudo isso irá virar.

Rock One: O primeiro vídeo lançado foi “Arma-Goddamn-Motherfuckin-Geddon”. É uma sátira do Marilyn Manson?

MM:
Combina com uma parte satírica do álbum, como ser ridículo na frente de todos e isso foi um modo de testemunhar como a gravadora colocaria no ar aquela música sem censura!

Rock One: E sobre o filme “Phantasmagoria: The Visions of Lewis Caroll”, anunciado várias vezes e depois adiado?

MM:
Não tenho mais tempo para isso, mas ao mesmo tempo ainda estou pensando e investigando porque é algo que está perto do meu coração. Há uma parte de mim que quer sumir da música e outra que está apaixonada em ser rockstar, tocar ao vivo, fazer esse álbum e fazer a vida disso. Todo dia, todo minuto da minha vida é um experimento. Pessoas apenas querem saber se você está atrás ou na frente do palco, ou se você quer voltar, se vai acontecer. Acho que as pessoas me veem como um macaco enjaulado em frente a um público, uma vítima, alguém que está chocando. Mas acho que quero que todos me vejam, com certeza.

Legendamos as duas primeiras partes da entrevista que Manson concedeu para o site ShockHound.com. Algumas coisas que constam na entrevista em vídeo, não aparecem na parte escrita, o que fica mais interessante ainda de assistir! Postaremos muito breve as duas últimas partes, mas enquanto isso não acontece, confira as duas primeiras:

Parte 1

Parte 2

1. Intro
2. Four Rusted Horses (Opening Titles Version)
3. Pretty as a Swastika
4. Disposable Teens
5. Leave a scar
6. Irresponsible Hate Anthem
7. Arma-Goddamn-Motherfuckin-Geddon
8. Great Big White World
9. The Love Song
10. WOW
11. The Dope Show
12. Sweet Dreams (Are Made of This)/Rock n' Roll Nigger
12. If I Was Your Vampire
13. The Beautiful People

 

Vídeos:

Intro/Four Rusted Horses (Opening Titles Version)

Pretty as a Swastika/Disposable Teens

Irresponsible Hate Anthem

The Love Song

Great Big White World

Sweet Dreams (Are Made of This)/Rock n' Roll Nigger

If I Was Your Vampire

The Beautiful People

 

“Eu estava com uma garota uma vez, e ela realmente me perguntou, ‘Você tem uma camisinha?’”

Conta Marilyn Manson enquanto ele senta com a ShockHound em um hotel em Hollywood para falar sobre seu novo álbum, "The High End of Low “. E eu disse "Eu tenho cara de quem tem uma camisinha?". Essa deveria ser a menor das suas preocupações . Eu sou muito pior do quê o quê o você vê de mim por aí”.

 

Ok então, novo ano, novo cd, mesmo Marilyn Manson. Depois de novo, talvez não. Nos dois anos desde o lançamento de seu ultimo álbum, Eat Me, Drink Me, Manson resistiu a uma feia e bem publicada separação com a atriz Evan Rachel Wood e com o anterior KMFDM, o baixista Tim Skold, que vinha sendo seu principal colaborador musical desde 2002. Ambos os rompimentos deixaram sua marca no The High End of Low, o qual marca a volta de Manson com seu “parceiro de crime” de longa data, (musicalmente e entre outras coisas) Jeordie White, ou Twiggy Ramirez, que trabalhou com uma variedade de outras bandas, incluindo A Perfect Circle, Nine Inch Nails e sua própria banda Goon Moon, desde que saiu do Manson em 2002.

Talvez a reunião Manson-Twiggy criou um CD cujas músicas frequentemente parecem mais pretendentes a recapturar o glorioso glam rock do Mechanical Animals, de 1998, do que quebrar algum novo estilo musical. The High End of Low recebeu variadas críticas, algumas acusando Manson e sua música de não ter mais o poder de chocar e provocar quanto eles faziam uma década atrás. E enquanto o CD debuta em 4º lugar no ranking da Billboard 200, sua primeira semana de venda foi a menor de todas as dos outros álbuns de Manson desde 1999, com The Last Tour On Earth.

Tudo igual, parece um pouco prematuro consignar Manson ao time do “ter-sido” a este ponto. Os primeiro dois singles do álbum, "We're From America" e "Arma-Goddamn-Motherfuckin-Geddon," são tão estimulantes quanto uma caneca de ácido jogada no rosto, e ele certamente não é o primeiro roqueiro provocador a ser acusado de ter “perdido isto”;  é só perguntar à David Bowie, uma das principais influências de Manson, que já foi considerado de ter “perdido” várias vezes somente para voltar com um novo arrendamento artístico em sua vida. As manchetes de Manson limitam-se a iminente Rockstar Energy Mayhen Tour, que ainda parece ser um dos mais vistos eventos de verão, e esta exclusiva e extensa entrevista com ele prova: O homem absolutamente não perdeu nada da sua sagacidade fraca ou o seu talento para ocasionalmente jogar o conceito "firebomb."

 
SHOCKHOUND: Então, quem é você, afinal?

MANSON: Esta é provavelmente uma pergunta muito ampla, quero dizer, obviamente se eu fosse além da roupa, tem meu nome cristão, mas isso não se enquadra. Eu acho que depende de onde eu estou neste momento. Eu escrevo e crio arte e faço declarações para pessoas que eu conheço, e eu passo a maior parte da minha vida no palco ou na frente de uma câmera falando com estranho, então é um pouco confuso. Eu decidi, preferi ME separar do mundo e viver em um mundo de fantasia. Eu já faço isso.

Se alguém a este ponto está questionando se eu sou louco ou não, se é um ato, ou um ato de Deus, ou um crime ou o que quer que seja... Será. É o que é. Este é o show, sendo eu. Eu estou tanto dirigindo, quanto atuando, ou assistindo, mas é só Marilyn Manson e esta é só a palavra mais simples para isso. Se você quiser a versão mais longa, você vai ter que fazer sexo anal comigo. 

SHOCKHOUND: Obrigado, mas eu passo. O que as pessoas podem esperar do seu mais novo álbum, The High End of Low?

MANSON: Eu acho que as pessoas que já são fãs das coisas que eu fiz podem esperar o que eu vim para realizar agora através de uma terrível realidade: Que eu posso fazer coisas sozinho, e Twiggy fez coisas sozinho, mas ninguém consegue fazer o que nós fazemos juntos.

Tudo acontece por uma razão, e eu acredito hoje nisso mais que nunca. Eu e ele voltamos um na vida do outro no momento exato. Ele estava vivenciando, provavelmente um ano depois de mim, um trauma emocional relacionado à uma garota.

Eu gosto de considerar o científico, não o religioso, mas se Deus fez Adão e tirou uma costela para fazer a mulher, e então a mulher transou com a cobra, isso só vai continuar se repetindo. Você precisa aprender como se tornar a cobra, este é meu conselho. Então eu vi o Twiggy, e eu desejei tê-lo comigo quando estava no mesmo lugar que ele está, mas para mais do que fazendo uma música, ou estando junto na banda, eu o queria para estar lá como seu melhor amigo. E isto aconteceu tanto que qualquer coisa que ele fez enquanto nós estávamos separados, ele se tornou melhor e mais capaz de expressar suas emoções através de um instrumento. Eu acho que eu me tornei mais atento à perdas. Eat Me, Drink Me é um cd difícil para eu ouvir agora, não por que me deixa triste, ele só me lembra de uma época em que eu era uma pessoa quebrada tentando me consertar. Eu estava me prendendo a um conceito Shakespereano “Se o mundo não consegue me aceitar, e eu estou apaixonado, então vamos morrer juntos”, e hoje eu olho para trás e vejo como covardia. [The High End of Low] começa com a música “Devour”, e foi uma música muito difícil de se chegar.

Fazer o CD foi muito fácil, uma vez que as coisas vão fluindo. Nós nem desfizemos as malas quando começamos a escrever as músicas. Quando eu digo “nós”, eu quero dizer a maior parte Twiggy e [o tecladista] Chris Vrenna, que fez papel de adulto em alguns casos, porque ele tinha que tocar teclado e tinha que acalmar o caos que acontecia. Nós queríamos as coisas bem brutas. Tudo era instinto inicial, de primeira, sem pensar duas vezes. Se der certo, por que questionar? Por que repensar? A atitute de, "O que eles vão fazer? Devolver? O que você vai fazer? Me castigar? Tem alguma coisa pior do que onde eu estou agora que poderia acontecer? Existe alguma prisão pior do que a que estou?"

“Devour” se tornou a primeira música. O álbum está na ordem em que eu canto. A maior parte eu comecei a cantar em Novembro depois que meu relacionamento se desintegrou, e também foi tipo um “nascimento” do Twiggy e eu voltando a estarmos juntos. Foi quase como se o tempo não tivesse passado. Nós ainda estávamos terminando um a frase do outro. Não é como um irmão, não é como um parceiro de uma vida toda, não é como uma amizade ‘Jonas Brothers’ ou o que for essa merda. É algo indescritível, e que só se manifesta na música, e este é o CD que nós sempre quisemos fazer...

No Começo do CD, eu era uma pessoa que confundia amor com dependência e, eu acho, as desejava com fraqueza. Ao final do CD eu já não era a mesma pessoa. Pode ser autobiográfico, mas é somente por que eu entendi que eu não posso criar histórias mais idiotas que a minha própria. E para as características da minha vida, não preciso imaginar ou criar metáforas. Mas ao mesmo tempo, tenho uma história que todos podem se identificar. Eu não quero contar uma história sobre meus relacionamentos pessoais, eu quero contar uma historia sobre ser uma pessoa que quer tentar ser um ser humano e acha que é assim que todo mundo se sente. Eu não estou tentando ser o último forasteiro... Eu só queria ver, “o que eu nunca mais terei que falar?” e eu não sabia.  Então sobre a música “15”, se você disser para mim agora “E vou te amar até nós morrermos” e você mudar de idéia... CORRA, ou eu vou matar você, e isto é tão não-metafórico quanto eu digo que é.

SHOCKHOUND: Eu li uma entrevista recente onde você mencionou que este é o primeiro CD que você fez vivendo sozinho. Eu estou curioso a respeito de como estar sozinho impacta sobre a música.

 
MANSON: Então… a parte cantada dela. Nós começamos o CD e foi cerca de três meses fazendo as músicas, e eu estava recém saindo de uma turnê, o que é um incrível redemoinho. Sendo o caos que é, tem um “quê” de ordem nele. Eu ganho um pedaço de papel todos os dias que diz “Isto é o que você vai fazer hoje”, e quando eles me liberam no desconhecido, eu sou como um animal selvagem e não sei o que fazer. Junto a um relacionamento que foi criado e formado naquela circunstância, é limitada a destruição quando você vê com quem você é realmente casado. Tecnicamente, eu sou casado com o que eu faço, e isso inclui Twiggy. Eu sei que casamento gay é ilegal na Califórnia, então não é isso, embora você saiba claro, há rumores e vídeos provando o que poderia ser considerado comportamento homossexual, mas não houve ereções. Então considero que foram apenas negócios, não prazer.

Isto sou eu fazendo graça sobre o que houve em minha vida. Eu tive que olhar para trás e ver que foi realmente uma época difícil. Obviamente se você quiser saber o que aconteceu desde a última vez que eu não falei com ninguém, você deve escutar o CD e você vai ouvir como você quiser ouvir. Você não ouve como Eat Me, Drink Me, você apenas escuta se colocando dentro disso. É um filme. Quando eu assisto a um filme, eu quero ser o personagem. Eu sempre quero ser o vilão. As pessoas sempre dizem “você tem responsabilidades, pois é um modelo para os outros”. Modelo é manequim. Eu sou um vilão. Você tem que foder tudo, você tem que ser ruim, você sofre muito abuso, mas os vilões são sempre os que no final, atraem a mulher danificada. Acho que é isso que eu sou, eu imã de danos. Isso significa que eu sou uma pessoa danificada.

Então, é isso que eu e Twiggy temos em comum. Somos vítimas, mas não queremos ser vitimados. Eu faço música para pessoas que são vítimas e isso não é para ser dito de um modo light, mas eu tenho que fazer isso mais light por que eu não quero ser sério nessa era de “emo”, onde isso se torna apenas mais um cartão da moda em uma loja onde você procura a seção que você quer estar... emo, rap, suicida, etc. Eu estou ali, estou no “etcetera” [risadas]


SHOCKHOUND: A reportagem da Rolling Stone sobre o The High End of Low o censurou, dizendo que há elementos deste CD que teriam sido considerados chocantes 10 ou 15 anos atrás, mas agora eles não. Mas a esse ponto até suas intenções estariam sendo chocantes?

MANSON: Eu nunca achei que isso fosse chocante, mas se eles estão se dando ao trabalho de falar sobre isso... O que eu aprendi como escritor e por que eu desisti de ser escritor, sem ofensas aos escritores, apenas escolhi escrever ficção ou sobre mim mesmo, é muito mais fácil zombar de algo e fazer parecer engraçado em um artigo do que elogiar, por que [se você elogiar] parecerá que você está sendo puxa-saco, pelo menos eu acho. Até onde eu sei, ninguém está escrevendo uma música chamada “Pretty As A Swastika”. A gravadora queria que eu a tirasse do CD... Mas para mim é uma das coisas mais românticas e interessantes. "Isso é um elogio? O que é isso? É politico?" Eu não sei. Não é nem mesmo um símbolo. Então quando eles disseram que eu os tolerava eles me inspiraram a ir a fundo nisso tudo. Eu faço algo, e quando eu terminar de fazer, felizmente pelo modo como o mundo funciona agora, eu posso simplesmente dar isto ao mundo. O que vem em uma caixa de plástico e está em uma loja... Eu não dou a mínima para o que seja. Eles podem mudar isso. Eles podem fazer o que eles quiserem. Se eles são alérgicos ao dinheiro e eles não querem, tanto faz. Então, sem “Swatika” e eu disse “Ok... Pretty as A Dollar Sign” (bonito como um cifrão), por que esse é o fascismo deles agora. Não há nada mais fascista hoje que dinheiro. Todo mundo sabe disso.

Eles essencialmente querem criar um novo palavrão. Eu não estava usando um símbolo. Eles tentaram dizer “bem, certamente a Alemanha não irá tolerar isto”. Eu  respondi “bem, sem ofensas...”,  (e eu adoro dizer “sem ofensas”, pois você pode dizer “Sem ofensas, mas você é um paga pau”. É tipo um free pass para “Sem ofensas, mas você pode ir se foder) sem ofensas, mas na Alemanha ‘swastika’ é uma palavra Americana. É uma palavra totalmente diferente lá. Então fodam-se vocês e todo o resto”.

Mas eu estava entusiasmado para fazer o cifrão por que minhas escolhas eram de fazer artisticamente, e a deles era fazer financeiramente. Eles realmente me permitiram fazer uma grande declaração, por que inicialmente a declaração era feita pessoalmente: Eu acordei uma manhã ao lado de uma garota que tinha cabelo preto, batom vermelho e era bem branquinha e disse “Você é tão bonita quanto uma suástica”. Isso foi charmoso suficiente para ela se insinuar, eu não diria atos indescritíveis, nós sabemos o que eles são... Não precisamos descrevê-los.

Então, se isso funcionou, por que não funcionaria com o resto do mundo? Quem é o nazista que está tentando me censurar? [risadas] Olha só, eu fiz alguém pensar. Eu fiz alguém pensar o suficiente para escrever uma frase [na Rolling Stone] e foi provavelmente pobremente construída, acredito eu. Em todo caso, não estou tentando ser chocante. Estou tentando ser Marilyn Manson e até que alguém faça o que eu faço, eu vou me destacar... Eu realmente não estou nem aí.

Estas novas bandas... Se você quer fazer o que eu fiz, olhe, eu estou fazendo o que outras pessoas fizeram. Eu me inspirei em David Bowie, Prince, Madonna, Alice Cooper... Mas eu não tenho problemas em dizer isso. Eu só “experimento” eles e faço meu próprio estilo. Salvador Dali disse alguma coisa próxima a “qualquer um que não rouba e faz algo próprio, não é um artista.” Não existe nada novo abaixo do sol, só novos modos de destruir o que já existe. Como um artista, você cria coisas, e algumas vezes na criação você destrói coisas. Apenas deve estar consciente disto. Eu quase desisti da música por que estava tão perturbado e frustrado pois não consegui lidar com o fato de ser tratado como objeto, um produto que existe em uma loja; não no sentido de “quem sou eu?”, mas no sentido de que eu estou tão cansado de quebrar meu coração que quiseram me censurar para este CD, que acaba indo para dentro de lojas que vendem armas, mas o problema mesmo era eu dizendo “fuck” . O que eu realmente digo. Mas nesse CD eu disse “Fuck it All”, tentei usar mais ainda o Fuck.

SHOCKHOUND: Como em “Arma-Goddamn-Motherfuckin-Geddon”, por exemplo?

MANSON: eu realmente dei meu melhor para fazer uma música que eles ficariam bravos, por que ouviram a música [sem a letra] e ficaram tipo “oh Manson! Isso vai ser um hit!” e eu fiquei tipo “ah, fico feliz que você não teve consideração nenhuma com o que eu coloquei em cima disso, então eu vou em frente e vou te dar um grande saco de pintos por esta daqui”. Eles decidiram desistir, então eu tenho algum respeito por eles terem tentando isso.

SHOCKHOUND: Conte-nos sobre “We’re from America”.

MANSON: Todo mundo acha que esta é a minha música mais política no CD. Eu escrevi na semana em que eu votei, o que foi uma experiência incrivelmente esclarecedora. Eu não tenho licença de motorista, e nem deveria, de maneira alguma eu deveria ficar atrás de um volante, a não ser que esteja estacionado e tenha a cabeça de alguém no meu colo. Eu só apareci lá e perguntei “posso votar?” e eles pediram “quais são suas credenciais?", eu resmunguei alguma coisa e eles disseram “tudo certo, é ali”. Eu filmei e votei. Eu não entendi direito, eu só sabia que queria votar para presidente e votar contra o ..... olha, eu não defenderia casamento, por que eu tive uma péssima experiência, mas isso não significa que eu não me casaria de novo. Mas vi que se casamentos gays são uma grande questão, deixe que se casem para que eles sofram como eu sofri, e eles vão perceber sozinhos o que estou falando. Eles não vão nunca votar para isso de novo. Então, eu quis votar para eles e para nenhum outro porco cagar tudo. Eu só fui e votei. Eu estava bêbado, pois é assim que você deve votar. Mais tarde naquele dia eu voltei ao estúdio. Eu deveria ter trabalhado das 22h às 4h, mas normalmente só apareço lá pelas 3:45h, e a maioria dos vocais ficaram prontos de primeira. Isto não significa que não foram trabalhados, só significa que foram bem imediatos e muito instintivos. Eu poderia ter ido longe demais em  “We’re from America, we’re this, we’re this,” mas eu achei que o mais importante fosse as primeiras coisas que eu disse: “Where Jesus was born, where they let you cum on their faces, where we eat our young and where we speak American.”
Não era por que eu queria fazer uma declaração da América, e era por que a aquele ponto do CD toquei todas estas musicas para os meus amigos e eles ficaram tipo “Wow, você realmente fodeu com tudo Manson, o que te deu?”; e eu disse “eu sou da America” [I’m from America]

Acho que isto é mais do que ímpeto para a música ser política. “We’re from America” vem mais depois no CD, por que você tem que ouvir o que tem antes para realmente apreciar como ela se encaixa no esquema da minha mente. É estranho. Eu não a teria escolhido como o primeiro single. Minha escolha para o primeiro single teria sido “Four Rusted Horses”, por que acho que ela representa o CD ao máximo, e é com isso que eu vou abrir a turnê. Eu me entreguei agora pra você.

A Universal Music nos mandou um scan do Jornal O Globo falando sobre o The High End of Low. A matéria é muito boa! Confira a transcrição e o scans abaixo:

 

Por fora, bela guitarra; por dentro, um pãozinho bolorento dos diabos

Marilyn Manson suaviza o som, mas não as letras, em mais um bom CD

Por: Bernardo Araujo

O conceito sempre foi a espinha dorsal da música de Marilyn Manson, eventualmente em detrimento das próprias canções. Em vários de seus discos, principalmente na década de 1990, época de seu estouro, o cantor anteriormente conhecido como Brian Hugh Warner caprichava na maquiagem, no figurino, nas letras – em que se caracterizava como o Anticristo Superstar – e, apesar de algumas boas ideias, as músicas raramente refletiam a competência do artista. Não à toa, a versão para “Sweet Dreams”, do Eurythmics, foi o maior sucesso do MM por mais de uma década.

Separação motivou o sombrio disco anterior
Mas agora tudo mudou: Manson deixou de lado o pseudônimo perverso, usa jeans e camiseta e gravou um disco acústico. Mentira, claro. Para a sorte dos bons apreciadores de um bom shock-rock, ele, aos 40 anos, continua esquisitíssimo, mas seu som de fato está diferente em “The High End of Low” (Universal), mais orgânico, mais suave, mais (ele certamente vomitaria sangue preto ao ler isso) humano, mais pop. A parcial guinada pode se dever a vários fatores, como a volta do velho parceiro Twiggy (que, este sim, deixou de ser Ramirez, ficando apenas com o nome empresatado da modelo, e não mais com o do serial killer), no baixo, guitarra e produção, e a simples ausência de uma tragédia como a separação de Manson da pin-up Dita Von Teese, que o levou a uma profunda depressão, exorcizada no bom disco “Eat Me, Drink Me” de 2007. Twiggy volta para o lugar do sueco Tim Skold (que voltou a gravar com Sascha Konietzko, seu companheiro no grupo KMFDM), fiel escudeiro do Manson na maior parte dos anos 2000. No disco, a banda é completada por Chris Vrenna (teclados e coprodução) e pelo baterista velho de guerra Ginger Fish, que ainda gravou o piano de “Into the Fire”.
Apesar de ter a assinatura de Manson em todas as músicas, “The High End of Low” é, possivelmente, o disco mais pop na carreira do cantor: seu apreço pelo rock gótico dos anos 1980 aprecem em músicas dançantes como “We’re from America” e “Blank and White”, além da balada “Running to the Edge of the World”. Apesar de usar e abusar das programações e outros efeitos digitais (a voz, por exemplo, continua , processadaça), o disco soa de fato mais humano, o que é no mínimo irônico em se tratando de um cantor que se fez passar por um alienígina na capa de um de seus discos mais bem-sucedidos, “Mechanical Animals”, de 1998 – algumas críticas no exterior, aliás, saúdam “The High End of Low” como um retorno àquela fase.
Se tudo parece mais harmonioso na parte musical (em se tratando de Manson, que fique claro, é bom não esperar Damien Rice) as letras são o mesmo inferno de sempre: “Four Rusted Horses”, mais uma lenta e macabra, descreve um enterro: “Todos virão/todos virão ao meu enterro/para ter certeza de que permaneço morto”, canta o cramulhão Manson. Duas canções criticam o modo de vida americano: “We’re from America” (que lembra na temática e no refrão, “Amerika” do grupo alemão Rammstein) ironiza a onipotência do país, dizendo “Somos da América, somos da América/Onde comemos nossos jovens/(...) Onde Jesus nasceu/Somos da América/E falamos americano”; "Blank and White" critica as adolescentes americanas: “Quero comemorar/Quero vender-lhes ódio/Hoje é o dia em que vocês vão morrer/Seus demônios querem dar um adeus apropriado”.

“Minha dor não tem vergonha de se repetir”
Inteligente, talentoso, calculadamente ousado, faltava a Marilyn Manson – que já se aventurou por mídias como a literatura e os filmes – equilibrar os elementos na arte que exerce melhor. Desde “Eat Me, Drink Me”, ele vem dando mostras de que menos agressividade na produção e nos arranjos pode resultar em música de melhor qualidade, o que transmite melhor suas ideias. Como ele mesmo canta em “Devour”, que abre o disco: “Minha dor não tem vergonha de se repetir”. Cantando muitas vezes cada refrão, aumentando a intensidade da emoção na voz a cada passagem, ele atinge seu auge.

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