Manson completa hoje 46 anos de idade!

Só podemos desejar o melhor para ele e sua carreira, e que o The Pale Emperor seja um enorme sucesso!

Confira os scans e a transcrição completa da entrevista concedida pelo Manson à edição de Janeiro da revista Rolling Stone, que já está nas bancas nos EUA.

      

        

        

        

O Vampiro de Hollywood Hills

Bem vindo à meia idade do Marilyn Manson: Mais academia, menos absinto - e seu melhor disco em anos.

 

Quando Marilyn Manson vai dormir, geralmente a manhã já começou, e quando ele acorda, uma completa escuridão não está muito longe. Nesse quesito, como em quase todos os outros, ele faz o que quer. Se ele quer lençois pretos em sua cama e com a temperatura sempre chegando nos gelados 18ºC, ele consegue. Outro exemplo: Vamos dizer que ele quer fazer amor com sua namorada, a fotógrafa Lindsay Usich, que é tão fina quanto a vassoura de uma bruxa e tem os cabelos pretos como um corvo, nestes lençois, nenhuma luz deve estar acesa. "Sou bem tímido, apesar do que você imagina," ele diz. Segundo, nenhuma cueca deve estar abaixada além dos tornozelos. "Tenho uma fobia de que a casa vai pegar fogo e eu não quero estar pelado," ele diz. E finalmente, cinco é o número absoluto mínimo de "congresso sexual", como ele gosta de chamar, que deve ter por dia, com dez sendo o máximo mais recente. E isso, aos 45 anos - "a idade de um pequeno recorde," ele diz, com sagacidade típica - embora dificilmente pareça possível.

Então novamente, o que exatamente sobre o Manson é possível? Dentre outros feitos, seu novo álbum, The Pale Emperor, é quase igual ao Antichrist Svperstar, o disco de 1996 que o elevou do terreno baldio pós-grunge de Fort Lauderdale ao shock-rock no topo, muito ao horror da Cristã direita, que em 1999 tentou culpá-lo pelos horrores do massacre em Columbine. Mas enquanto o Svperstar era todo sinistro e industrial, oThe Pale Emperor tem uma pegada blues, com sintetizadores pesados, acessível e cheio de grunhidos e tormentos, incluindo os sons agudos dos coiotes roendo em uma matança. Muitas de suas músicas, entre elas a recente Third Day of a Seven Day Binge, foram gravadas em uma única tomada, com todos os esforços subsequentes para limpá-las sendo ignorados. "É sujo", diz Manson de forma feliz. "Como a sujeira embaixo das minhas unhas, como alguém que tenha cavado uma sepultura."

Agora, a única coisa que ele está cavando é um refrigerante Sunkist de uva de sua geladeira em sua casa com estilo gótico em Hollywood Hills. Ele abre a lata, coloca um pouco em um copo, o abaixa e nunca mais toca nele. Então ele dá um passeio pelo lugar, mostrando seus pertences mais importantes. Há uma pilha de livros infantis (This Little PiggyWinnie the Pooh Meets Gopher). Uma caixa de Zyklon B sem uso, o gás venenoso que Hitler usou para exterminar os Judeus. Uma pistola e um rifle em uma mesa de café. Um premiado quadro de palhaço feito pelo estuprador e assassino em série John Wayne Gacy. Basicamente, são todas coisa que você deve esperar de um cara como ele.

Na parte de cima, atrás da porta de um quarto fechado, está Usich. Manson diz que ela não descerá esta noite. Talvez eles devem ter tido alguns problemas de relacionamento. Talvez ela não entenda que quando ele escreve uma música para seu novo disco como a The Devil Beneath My Feet, com letras do tipo, "Don't bring your black heart to bed/When I wake up you best be gone, or you better be dead" (NT: "Não traga seu coração preto para a cama/Quando eu acordar, é melhor você ter ido embora, ou é melhor estar morta") ele não está, necessariamente referindo-se a ela, embora o trecho tenha vindo de um texto enviado para ela.

Hoje ele está usando uma camisa preta, colete preto, casaco preto, calça preta e bota preta com meias vermelho-sangue, óculos de sol cobrindo seus olhos em uma sala que é tão escura que seu cabelo preto, cortado curto e assimétrico, quase não aparece. Ele se movimenta com graça, dedos agitados como um pássaro enquanto ele aponta o que é uma antiga cadeira de aborto que uma vez cobrira com um tapete de castor dado a ele por Brad Pitt e Angelina Jolie. "Eu o chamei de Montanha Beaver," ele diz, "e é onde eu fiz sexo com certos indivíduos que talvez tenha ou não resultado em meu divórcio." Rapidamente, ele pensa sobre isso e você consegue ver o próximo comentário formulando-se em seu cérebro. Espere. Espere. Aqui vai. "Não tenha medo do castor" (NT: A frase original é "don't fear the beaver". Em essência, "beaver" é castor, mas também uma gíria para vagina/boceta. É provável que o Manson tenha feito um trocadilho, mas como não temos certeza, deixamos a tradução original mesmo).

E então passos são ouvidos.

"Desculpe," ele diz, "mas parece que seremos interrompidos agora."

É Usich, usando um vestido colado aveludado com uma fenda peek a boo perto dos seios. Ela está indo para algum lugar chique?

"Não," ela diz. E então ela dá o fora passando pelos olhos observadores do palhaço de John Wayne Gacy e volta para o quarto.

É um momento desconfortável e fica sem explicação. Manson pega sua gata, uma idosa devon rex chamada Lilly White que tem uma delicada mancha do batom vermelho de Usich em sua cabeça, e observa ela ir embora. Ele teve muitas namoradas ao longo dos anos (atrizes Rose McGowan, 1997-2001 e Evan Rachel Wood, 2006-2010, bem como as atrizes pornô Stoya e Jenna Jameson) e uma esposa (a rainha burlesca Dita Von Teese, 2005-2006, vítima da Montanha Beaver), mas que com muita loucura envolvida, nenhum deles terminou bem. "Eu sou um imã para mulheres danificadas," ele diz mais tarde, sem especificar nenhuma.

E então é hora de ir para o Chateau Marmont para uma pequena diversão apenas para rapazes. "Vamos beber algumas coisas," ele diz. "Criaremos palavras próprias. Vamos tocar rap se quisermos." E, claro, iremos ver se vamos nos meter em alguma encrenca. "Eu sou o caos. Eu sempre fui o caos, meu ponto na Terra é o caos," ele diz, ficando agitado, "Sou o terceiro ato de todo filme que você já viu. Sou a parte onde chove e a parte onde a pessoa que você não quer que morra, morre. Estou aqui para foder tudo." O que significa que hoje pode ser um bacanal, cheio de coisas terríveis e maravilhosas. Espero.

De volta à virada do século, ele era conhecido como o causador da discórdia, maníaco e ofensivo. Em 1994, ele virou o ministro na Igreja de Satã e criou um grande negócio disso. No mesmo ano, auto proclamou-se o Deus da Foda, e dois anos depois, o Anticristo. Ele usava lentes de contato que não combinavam, uma castanho escuro e outra azul céu, que o fazia parecer desconcertado. Ele aterrorizava os religiosos de direita ao ponto de quererem seus shows banidos, eles colocavam como fato que qualquer menina virgem que fosse ao show, iria presenciar atos homossexuais no palco, uso de drogas, estupro e bestialidades, o sacrifício de virgens e animais. Os rumores aumentaram. Foi dito que ele havia removido suas costelas para realizar sexo oral em si mesmo. Todo tipo de escândalo não era só possível, como provável - incluindo cobrir uma groupie surda de carne e molhá-la com urina, o que, de fato, aconteceu. E então ele iria a talkshows tipo Bill O'Reilly para filosofar sobre os horrores da religião, a estupidez universal dos políticos e da primazia específica do indivíduo, mesmo se o indivíduo, assim como ele disse uma vez dele mesmo, é "um babaca intencional".

E mesmo pessoalmente, ninguém pode parecer mais galanteador ou suave que ele. Ele senta suavemente. Ele raramente fala obscenidades e fala com um agradável sotaque sulista. Ele é pesado sobre suas roupas; sua camisa está abotoada até o pescoço, cobrindo totalmente as milhares de cicatrizes que marcam seu peito. Ele está constantemente trabalhando em maneiras de melhorar; agora ele está na missão de apagar a palavra "tipo" como um hábito em seu vocabulário. E olhando para trás, ele diz isso na maior parte do tempo. "O aspecto P.T. Barnum (NT: P.T. Barnum foi um showman e empresário do ramo do entretenimento norte-americano) do Marilyn Manson meio que evaporou," ele diz, a prova de que no qual pode ser muito vista no contexto do The Pale Emperor.

Longe de sua música há tempos, claro, está o frontman Trent Reznor do Nine Inch Nails, que descobriu o Manson em 1992, co-produziu seus primeiros discos e então o chamou de "palhaço dopado" que, em seu desespero em ter sucesso como rockstar, iria fingir estar fodido e drogado mesmo quando não estava. Longe mais recentemente, pelo menos neste último disco, estão os membros de sua banda, incluindo Twiggy Ramirez, que costumava ser seu principal parceiro tanto no crime, quanto na música. Ao invés disso, Manson fez o The Pale Emperor apenas em colaboração com Tyler Bates, mais conhecido como compositor de trilhas sonoras para filmes como Guardiões da Galáxia e seriados como o Californication, que foi onde ele e Manson, que fez uma participação em 2013, se conheceram. Inicialmente foi só um 'oi', ao menos até certo ponto. Bates viu Manson bebendo alguma coisa verde e perguntou o que era. Manson disse que era absinto, oferecendo um pouco e ele aceitou. "Então eu fui para a cama naquela noite," Bates diz, "e de repente meus olhos saltaram da minha cabeça. Tenho esposa e filhos, nunca tive uma doença. Então alguns dias depois eu perguntei para ele, "Hey, preciso te perguntar uma coisa. Você não tem herpes, né?" e ele começou a rir: "Eu nunca tive nada, embora tenha pegado chato quando perdi minha virgindade." A bala esquivou-se, eles começaram a trabalhar juntos, com Bates trazendo todo um novo rigor ao processo de gravação do Manson e esperando ressuscitar uma carreira musical que Manson diz que "foi totalmente jogada na terra" após ele ter sido culpado por Columbine. Isso foi por volta de 15 anos atrás. Nesse meio tempo, ele lançou outros discos, entre eles o Eat Me, Drink Me e The High End of Low, e foram garimpados pela maioria dos fãs e críticas, e em 2009 ele saiu da Interscope, que tinha sido sua gravadora desde o início. Para mantê-lo ocupado, ele começou a pintar, atuar em mais programas de TV (mais recentemente, como um supremacista branco convicto em Sons of Anarchy), e perdeu-se em garrafas e mais garrafas de absinto. Ele ganhou uma boa quantidade de peso, ao ponto onde ele poderia ser chamado de atarracado, mas agora ele tem ido frequentemente à academia. ("Esteira; 10 minutos; pernas e braços em aparelhos, sem pesos livres.")

Atualmente, ele também passa bastante tempo saindo com o Johnny Depp, ao ponto de se hospedar na casa dele em Hollywood. Eles aparentemente se entendem como poucos. Literalmente, eles balbuciam coisas que descobriram que não precisam de palavras para se comunicarem. "Balbuciamos como se estivéssemos cantarolando um refrão, e terminamos as frases com gestos com as mãos," diz Manson. Em um nível mais profundo, eles compartilham fascinações e predileções. Em certo ponto, eles tentaram comprar a arma com qual Hitler se matou. E nenhum dos dois conseguem dormir se a TV não estiver ligada, com a preferência do Manson sendo por "coisas realmente altas e violentas."

Eles também têm tatuagens combinando: No pulso, a frase "NO REASON" e nas costas, "o esqueleto gigante das flores do mal de Charles Baudelaire" Manson disse uma vez, "É um tipo de segredo. As pessoas dizem para a gente, "Por que vocês fizeram essa?" e nós respondemos, "não há motivo."" E hoje ele diz, "Johnny é uma das únicas pessoas com quem consigo conversar. Não consigo explicar, a não ser que não precisamos dizer nada, mas realmente não podemos dizer para mais ninguém." O que quer dizer qualquer coisa, já que é o caso do Manson. E talvez ele terá mais a dizer sobre isso mais tarde. Mas por agora, ele tomou um double shot de vodka para voltar ao terraço do Chateau Marmont. Vodka é outra coisa nova. Os dias de absinto estão acabados, ele diz, principalmente porque "te deixa pobre e louco, e eu não quero terminar pobre e louco," e também não haverá mais uísque, principalmente porque, "foi assim que consegui as cicatrizes em meu peito. Me faz um traste. E teimoso."

É tarde agora, quase na hora de fechar, e se houver alguma treta, é melhor que seja rápido. No lado promissor, a situação está ficando menos sóbria e mulhers estão envolvidas. Uma garota Italiana chamada Titti, que é bem conhecida como uma das maiores fãs e já assistiu a mais de 1,500 shows, aparece, se convida a sentar e começar a olhar seu amado, dizendo coisas como, "Eu o amo" e "Ele é lindo". Após isso, um cara meio nerd de óculos aparece - Manson depois o chama de "Lasiks" - para pedir conselho sobre como segurar "a onça" que ele conseguiu. "Qual é o jogo?" ele pergunta para o Manson e o Manson responde, "Você deveria perder sua virgindade com ela e esfaqueá-la depois." O cara acena e diz, "Deixarei você sabendo como vai o esfaqueamento."

Então o companheiro e músico Shooter Jennings aparece das sombras e ele e Manson começam a conversar sobre como eles deveriam escrever uma música juntos. Manson vem com trechos bem evocativos, "I love you/Am I pretty?/Hold me/I'm going to kill myself," (NT: "Eu te amo/Eu sou bonito?/Me segure/Eu vou me matar") ele diz. "Vamos escrever a música amanhã!" "Fechou!" diz Shooter.

Um momento mais tarde, a atenção de Manson se volta à onça de Lasiks. "Você acha que ela tem cocaína?" ele pergunta, após ver Lasiks deixando o local para ir ao banheiro, autorizando-o a se aproximar da mulher. Rapidamente desenvolveu que eles passaram três horas juntos no bar do hotel Metropolitan em Londres. Há 12 anos. "Você está ainda mais linda do que antes," diz Manson. Ela diz, "Obrigada, querido. Estou feliz em vê-lo." Vai e volta nisso, sem levar a nenhum lugar em particular, até ele voltar ao Shooter. Após ele ir embora, quando perguntado se eles já tinham ficado, ela diz, "Não. Eu estava casada na época. Mas não vou esquecer a conversa que tivemos naquela noite. Ele foi um cavalheiro. Não houve nada dele estar tipo, "Venha" e eu tendo que dizer, "Tenho que ir embora." Ele estava me observando. Foi interessante. Ele é um homem especial."

De volta à sua mesa, Manson, o homem especial, está sendo formal e dizendo coisas sábias, tais como, "Eu lavo minhas mãos antes de fazer xixi porque sei onde meu pau esteve, mas não sei onde minhas mãos estiveram." O que poderia ser algo parecido com o que ele disse mais cedo: "Tenho um bloqueador de luz em casa, que irá mostrar se o esperma ficou em algum lugar, e Lindsay usou na minha cueca para ver se fiz algo sujo enquanto estive fora. Eu disse, 'Te enganei. Eu posso ter trocado de cueca. Como você sabe que eu não troquei?" Ela diz, "Porque você não troca sua cueca." Eu disse, "Verdade. Boa resposta, boa resposta." Tatti está rindo. E Manson está pedindo mais double vodkas.

Em breve estará na hora de ir. E ainda não aconteceu nada caótico, sem carne ou urina. É meio que uma decepção. Se o ponto do Manson é foder com tudo, então a noite não teve sentido. Ou talvez não. Manson tem um novo ponto em ser o Manson. E talvez ainda está para ser descoberto, por ele ou qualquer pessoa.

Quinze horas depois, está escurecendo na casa do Manson, onde ele, já provavelmente tendo engajado seus cinco ou mais "congressos sexuais" com sua namorada, está novamente acordando. O quarto é escuro e ficará assim. A temperatura é de 18ºC, como sempre. Ele aparece agora e escova seus dentes (se quiser saber, ele usa Aquafresh), enquanto senta no banheiro e faz xixi ("Minha mira é terrível"). Após tudo que ele fez no último dia, você pensaria que a próxima coisa seria um banho, mas não, não é o que ele faz. "Não sou muito de tomar banho," ele diz. "Costumo me enxaguar, mas ainda não fiz isso hoje, então se você está planejando me chupar, precisa esperar até mais tarde." A seguir, ele coloca suas roupas, todas pretas, logo antes da companhia chegar, ele passa lápis em seus olhos, Smolder Kohl da MAC, seu favorito "porque ele mancha, então fico com aquela aparência de 'acabei de acordar, acabei de foder'".

Ele desce as escadas, onde também está escuro e sempre estará, forçando seu assistente Ryan a usar uma lanterna. As armas não estão mais na mesa de café, mas o assassino ainda está na parede. Manson senta em um sofá e dobra suas mãos. No crepúsculo, ele é fascinante, a forma com que sua testa inclina, sua falta de queixo, a brancura de sua pele, e a total falta de sinais da idade em seu rosto, sem rugas, sem curvas, sem indicações da vida dura que leva.

"Bem, acho que ainda sou meio que adolescente," ele diz. "Digo, tive uma namorada que esteve em filmes pornográficos antes de namorá-la, e ela terminou comigo e disse que eu queria sexo toda hora. Ela disse, "Você parece um moleque de 14 anos, não aguento."

Ele diz que não sabe porque ele é assim, mas que provavelmente tem algo a ver com sua infância, crescendo como Brian Warner em Canton, Ohio, onde seu pai era um vendedor e sua mãe uma enfermeira que tinha a tendência de pairar. Podia parecer normal, mas era qualquer coisa, menos isso. Uma experiência em particular diz tudo: Aos 13 anos, Brian costumava espiar o porão de seu avô e observar o velho ficar perto de um trem elétrico e se masturbar com pornô de bestialidades, com barulhos grotescos emanando do buraco deixado em sua garganta por conta de uma traqueostomia. O garoto não ficou aterrorizado, fascinado ou mesmo hipnotizado, assim pavimentando o caminho, após a família mudar-se para a Flórida, para ele virar gótico-glam-metal-industrial, pegar o nome Marilyn Manson (como uma forma de casar os extremos de Marilyn Monroe e Charles Manson), formar uma banda de mesmo nome e eventualmente vender mais de 50 milhões de discos, no processo de virar a face do mal mais conhecida da nação.

Mas se tudo isso está no passado P.T. Barnum, seu presente parece ainda estar no processo de chegada, no qual talvez explique por que a noite passada no Chateau, nada foi fodido. Novamente, uma vez um vampiro, sempre um vampiro, e há muitas formas para um homem como ele evoluir.

Ele começa a falar sobre sua amizade com o Depp novamente. "Gostamos de nos considerar garotos da oitava série, os caras com mais experiência que os da quinta série, aqueles que as garotas querem dar. Digo, tempo e idade são realmente irrelevantes para mim. Com o Johnny é a mesma coisa. Ás vezes acho que estou preso na idade que comecei tudo. Estou preso nos 23 anos." Ou 14, claro, dependendo da companhia. Tudo no qual ajudaria a explicar muita coisa, incluindo sua necessidade ocasional de furtar coisas, com a mais recente sendo um par de óculos escuros da loja John Varvatos, que mais tarde ele contou a eles, "então tecnicamente não é furto," e uma caixa de chiclete de menta de um CVS, que ele diz que "jogou fora e nem comeu."

Ele parece estar tentando chegar em algum lugar com essas pequenas revelações e ele não para.

"Sou louco em todas as formas," ele continua, "no qual eu penso ser uma das minhas qualidades mais charmosas. Não é diagnosticável, porque envolve comorbidades, que é quando você tem várias desordens, então eles não conseguem descobrir o que é." Ele pausa por um momento, e então continua, talvez de algum outro lugar de sua cabeça, talvez até mesmo de alguma outra época. "Eu não gosto muito de ser íntimo com as pessoas. Acho que talvez duas vezes na vida eu tomei banho com uma garota e foi no escuro. Sou muito tímido. E também tenho um medo enorme de banheiras, talvez porque minha mãe costumava me dar banho em banheiras quando criança e eu tenho memórias fraturadas de não gostar."

O nome da sua mãe era Barbara e ela morreu em Maio, aos 68 anos, após uma longa batalha contra a demência, no qual ela não conseguia reconhecer seu filho. "Enquanto criança, estive muito no hospital," ele continua. "Tive anemia e pneumonia umas seis vezes." Foi dito a ele que ele sofreu de alergias estranhas, a coisas como ovos e amaciante. Ele também tinha lóbulos estranhamente grandes. Ele não se importava muito, mas sua mãe sim, e uma das primeiras coisas que ele fez após virar um rockstar com dinheiro, foi fazer uma plástica: "As pessoas nunca acreditam que eu fiz, mas veja, eu queria mantê-las. Mas isso era a minha mãe sendo do jeito dela. Foi sua sugestão."

E então, após pensar um pouco, ele explica o jeito dela. Ele sofreu de síndrome de Munchausen por procuração, ele diz, uma forma de abuso infantil onde a mãe induz sintomas reais, ou aparentemente reais, de doenças em uma criança. Ele falou sobre isso em público apenas uma vez, por volta de 15 anos atrás, e não foi nem mencionado em sua autobiografia lançada em 1998, The Long Hard Road Out of Hell, e até hoje, ele mantém as coisas breves.

Entretanto, basta dizer, que, de forma alguma, ele é alérgico a ovos e amaciante, com o lógico corolário sendo que qualquer doença que ele teve quando criança foi provavelmente causada por sua mãe e que fazer a cirurgia nos lóbulos veio diretamente de uma ordem dela que não poderia ser desobedecida, muito como as ordens que estão no lugar em sua própria casa, que as luzes continuem baixas, a temperatura permanece em 18ºC e os lençois são sempre pretos.

"Eu não tinha descoberto sobre a síndrome até depois de muito tempo, e não tenho certeza sobre há quanto tempo ela sabia," ele diz. "O que eu posso dizer é que aquela doença mental arruinou a família."

No qual, claro, é uma forma de explicar o Manson, que ele é mentalmente doente, por conta de todo o seu comportamento. E talvez seja verdade. Mas é também uma forma angustiante de se olhar para isso, não apenas por conta do futuro sombrio que prevê, mas também porque, de alguma forma, é muito errado pensar nele dessa maneira, reduzindo-o a uma série de desordens psicológicas. E é tão errado também para o Manson pensar isso, já que ele parece estar fazendo, como é para os seus muitos críticos terem voz, onde eles frequentemente falam, "Manson é Manson, ok?" diz Tyler Bates, e é tipo isso. Ele é muito glorioso para qualquer outra coisa, singular demais, por aí demais, um enorme brilho que ainda brilha um exemplo do que significa ser individual.

Mas chega disso. É hora de ir e deixar o Manson ser. Usich desceria do quarto para dizer tchau, mas ela não está vestida para isso. "Estou de pijamas," ela fala de trás da porta.

"Eles são abertos?" pergunta o garoto de 14 anos que mora dentro do homem de 45 anos. E então ele diz, "Qualquer coisa pode ser aberta se você carrega uma faca. E de qualquer forma, só queremos confirmar as cinco vezes."

Usich pausa. "Ah, sim," ela diz. "Tem sido mais que cinco vezes, mas sim."

Manson não terminou com ela. "Então," ele diz. "Imagino que você provavelmente esteja passando gelo em suas partes íntimas?!"

Outra pausa. "Ah, sim," ela diz. "Não consigo nem andar direito."

Quem pode imaginar como é a vida deles juntos. Mas, no final, não importa o que mais ele faça, ou onde ele vá, ou o que ele vê, ou quantas vezes ele transa, ou se ele furta coisas, ou qual o conselho terrível que ele dá, só podemos esperar que ele se divirta fazendo isso. Então, divirta-se esta noite, Manson.

"Não me diga o que fazer," ele diz, parando na porta. "Mas eu irei."

No dia 15 de Dezembro, Manson foi entrevistado pela rádio Americana KROQ e falou sobre o The Pale Emperor. O áudio da entrevista pode ser ouvido acima, a partir de 1:15h. A transcrição está abaixo, confira!
 
Um velho amigo está vindo nos visitar, senhoras e senhores. E eu o amo. Manson está conosco. Como está, irmão?
 
Estou bem, estranho... Tantos anos.
 
É, eu não lembro quando foi a última vez que nos vimos. Faz anos, nos falamos algumas vezes por telefone, mas... Ás vezes, quando você vem, estou no outro estúdio...
 
Eu geralmente entro quando o visito (NT: No áudio, todos no estúdio dão risada porque o Manson fez uma piada com o termo "come inside" que pode ser traduzido, em termos explícitos, como "gozar dentro")
 
Então, você está muito chique, parece que vai fazer um álbum de fotos, ou filmar um clipe, parece que vai fazer algo, não é possível que você ande desse jeito por aí, normalmente. Seu cabelo está arrumado, maquiagem... Você está usando o que parece ser um terno.
 
Não é um terno, eu só abotoei minha camisa até o primeiro botão.
 
Você tem sete anéis, e todos poderiam nos matar. Parecem armas.
 
Eu não os mataria.
 
Que arma é essa nesse seu cofre?
 
Bem, às vezes, à noite, eu tenho a tendência de... Talvez seja um hábito, vamos chamar de hábito: de ir no Amazon e comprar coisas que não preciso, talvez eu esteja sobre a influência de algo.
 
Eu também faço isso. As coisas aparecem e eu penso: ''nem me lembro de ter pedido isso''.
 
Pois é, achei esta faca... Mas é boa para comer caviar.
 
Você come tanto caviar que tem que andar por aí com uma faca dessas?
 
Eu nunca comi caviar. Talvez uma vez. (risos)
 
Nós temos muito do que falar porque faz tempo que não nos falamos, quer começar com o The Pale Emperor ou quer começar com nosso amigo Sr. Tully no Sons of Anarchy?
 
Diga-me onde devo começar, baby.
 
Vamos falar do SOA porque já acabou e aí, olhamos pro futuro, em 2015 e o novo álbum. Você atuou aqui e ali durante os anos, mas como aconteceu de você conseguir um papel tão importante no final da série?
 
Começou com meu pai sendo um grande fã do seriado, e, claro, eu também era um grande fã do show, e, de alguma forma, Kurt Sutter veio para minha casa com seus filhos e os amigos deles para minha casa pra ouvir o novo álbum...
 
 
Você tinha uma piscina inflável ou algo do tipo? Por que eles estavam indo pra sua casa?
 
The Pale Emperor. Sabe? Não lembro... Não lembro bem como, exatamente, acho que foi através do Shooter Jennings, que é um amigo meu. Então, Kurt Sutter estava em minha casa,  e eu estava contando à ele como meu pai amava o seriado, minha mãe morreu...
 
Sinto muito
 
Eu também sinto muito, mas... Então, o seriado trata muito desse relacionamento de pai e filho, e eu só queria fazer algo pra deixar meu pai feliz, e eu pensei que iria conseguir apenas uma música no seriado, e acabei jantando com Katey e Kurt, e, ironicamente, meu pai, se ele estiver ouvindo: hahaha, pai: Meu primeiro artigo, quando eu tinha 19 anos, na Flórida, eu fiz uma entrevista com Katey Sagal, e eu dei a ela de presente, e ela disse ''você quer atuar?'', e eu disse ''sim, seria incrível'', isso mais antes, no encontro com eles, e foi aí que comecei a me preocupar com meu pai, pois ele também estava doente, e eu estava tentando animá-lo um pouco antes de minha mãe falecer, então eu fui pra Ohio, porque minha mãe morreu, e eu recebi a ligação que eu iria estar no seriado. E eu disse ''Pai, adivinha? Eu vou participar do seriado.'' ''Sdivinha? Eu vou ser o cabeça de uma gangue ariana.'' ''Adivinha? Eu vou ser pago pra isso'', e em quase todos os episódios, estou com Charlie Hunman, então isso deixou meu pai feliz. Porque eu tenho uma foto estranha de meu pai pilotando uma moto e eu na garupa escrito ''Puta''.
 
Você gostou, como fã do seriado, de fazer parte desse mundo? 
 
Eu amei, e odiei. Recebi spoilers, sabia o que ia acontecer, então eu tentava ler apenas a minha parte, mas... Eu entrei lá com Paris Barclay e eu disse ''Preciso mudar algo?'' e ele disse ''Não, está ótimo''. E eu disse ''o que você está insinuando?'' (risos). Os supremos não eram brancos, eram negros.
 
Eles tinham algumas tatuagens, eles te colocaram com roupa de prisão... 
 
Na verdade, eles colocaram um monte de tatuagens em mim e eu abotoei minha camisa. E sobre a cena do Juice, eles me fizeram fazer umas vinte vezes. Não porque eu estava fazendo errado, mas acho que foi porque...
 
Eles gostavam de ver aquilo acontecendo com Juice?
 
Talvez, não sei. Nós nos abraçamos depois, esse foi o momento mais constrangedor. 
 
Isso te faz ficar motivado a atuar mais?
 
Sim, eu gostei, e foi bom pra mim porque tudo aconteceu enquanto eu estava fazendo o disco, e só acrescentou à minha rotina, de, primeiramente, estar acordado durante o dia, que é muito esquisito.
 
Nós entendemos, odiamos ter que te tirar da cripta pra vir aqui, mas...
 
Não, não, eu não fico mais tão impregnado na cripta. Mas, às vezes, fico. Depende. Claro, tenho que dormir por oito horas pra manter essa minha garganta funcionando. Mas além disso, eu posso me adaptar a qualquer situação.
 
Você foi ótimo no seriado, e ficamos intrigados pelo elenco, e quando nós vimos você, pensamos ''este papel é incrível'', por que é um papel tão quieto, mas o cara é tão poderoso, e ele fica manipulando tudo, fazendo as coisas acontecerem, com uma confiança extrema... Quase não precisou dizer nada, quase...
 
Obrigado, por isso guardei isso pra você.
 
Músico, cantor, ator, artista, Marilyn Manson
 
Ícone!
 
Esqueci disso (risos). O disco novo se chama The Pale Emperor será lançado dia 20 de Janeiro de 2015. Muita coisa mudou desde que você lançou um disco no mundo do rock. 
 
Exceto minha cueca.
 
Nós estávamos falando com Billy Corgan, não que estejamos apontando o dedo, mas ele parecia depressivo e frustrado de quão difícil é fazer impacto com um disco novo hoje em dia, em comparação a como era. 
 
Eu não concordo, mas eu o vi recentemente, nós tocamos juntos, ele gostou tanto da minha música Third Day of a Seven Day Binge que ele queria tocar no bis, e eu cantei a Ava Adore, e 15 anos atrás, ele disse ''você precisa ser mais musical'', quando lancei o Mechanical Animals, e eu disse ''você precisa usar mais maquiagem''. História verídica. Nós tínhamos uma boa amizade, acho que foi magoada por palavras fortes ditas por ele sobre Rose McGowan na época, seja lá quem ela for, então, nós nos encontramos e foi como se o tempo não tivesse passado. 
 
Não tem motivo pra segurar remorso de algo que alguém disse por 20 anos.
 
Eu nunca tive remorso. Sabe, quando você está com alguém, você meio que tem que defender a pessoa... É a coisa macho de se fazer. Mas eu nunca tive remorso. 
 
Você tinha essa faca na época?
 
Eu não tinha o ouro.
 
Então, por que você está mais otimista que ele sobre liberar música nova no mundo? Por que parece que, quando eu e você estávamos crescendo, era algo grandioso quando um disco de uma banda que você amava era lançado, você comprava, e tocava muito, e hoje em dia, tudo vai e vem tão rápido, sempre tem um milhão de coisas por trás, parece que nada realmente se firma como antes.
 
Eu acho que é porque as pessoas esvaziam o balde de mistério, como gosto de chamar, com Instagram, Twitter, e eles estão constantemente dizendo coisas que você não precisa realmente saber, quando nós estávamos crescendo, não tinha nada do tipo. Havia o interesse em ouvir, se você amava o artista, ou se a música, apenas, te afetou, você a ouviria, e você não pensaria no que eles fizeram aquele dia, ou em que relacionamento estavam, ou o que estava acontecendo na vida deles, que escândalo... Era bem antes de celebridades existirem. Até mesmo agora, em essência, Marilyn Manson, é um comentário sobre celebridades com Marilyn Monroe e Charles Manson, e tudo isso. Parece que tem um jeito de voltar e fazer um círculo completo consigo mesmo, mas, ao mesmo tempo, acho que deixa o jogo mais justo, acho que é um tempo ainda melhor pra lançar um disco
 
Faz com que pessoas que não tenham sua carreira quase iguais a você.
 
Se você tem uma atitude em que você pensa, por exemplo, quando conheço as pessoas, eu não espero que elas saibam o que fiz ontem, quanto mais dez anos atrás, eu não espero que elas saibam. Quando as pessoas começaram a pensar que eu escrevi Sweet Dreams, e eu não escrevi, obviamente, Dave Stewart o fez, eu não esperei que ninguém lembrasse de The Beautiful People, The Dope Show, nada assim. Quando conheço as pessoas eu digo ''olá'', e elas me conhecem, obviamente, um de meus maiores hits foi Columbine... e ser conhecido de uma forma diferente.
 
Você se sente como se você tivesse começando do início com um novo público toda vez que vai lançar um disco?
 
É, você coloca músicas no mundo porque acha que são ótimas, do mesmo jeito que você achou quando você lançou seu primeiro disco, todo mundo ama lançar discos, e falar como está ótimo, como mudaram, como... Enfim. Eu estou ciente disso. Esse álbum foi mais simples pra mim por que eu finalmente percebi sobre o que o rock'n roll é, o blues, que remete à Elvis, Robert Johnson, por isso tem essa coisa Faustiana.
 
E você disse que essa é a primeira vez que você realmente explorou o passado do blues no rock'n roll. 
 
Voltando, pra falar de David Lynch, como I Put a Spell on You era bem blues, Hawkins... e CCR, muitas pessoas fizeram isso. E eu morei em New Orleans, Flórida, não morei em Mississippi ou Kentucky, mas eu nunca realmente peguei a musicalidade do blues, como tocar, e nunca entendi o porquê, é uma pessoa contando uma história que todo mundo pode se identificar. São os mesmos acordes, é a mesma coisa, só muda como você o diz. Você simplesmente faz o que todo mundo está fazendo, mas você faz de forma melhor, e com confiança, e pertencendo a quem você é.
 
É, e muitas pessoas fizeram um blues ótimo. Rolling Stones, Led Zeppelin, bandas assim, eles eram essencialmente apenas bandas de blues, mas eles estão indo muito bem fazendo som próprio. Certamente.
 
É, e não teve um momento em que eu dissesse ''Ah, vou fazer um disco de blues'', eu fui pro estúdio com Tyler Bates, e sempre quis fazer um disco que soasse cinemático, e eu conheci o Tyler Bates pelo Californication, ele fez a maior trilha sonora do ano, com Guardiões da Galáxia, 300, The Watchmen, entre outros, e nós sentamos, e ele tinha uma guitarra, e eu comecei a cantar, e simplesmente aconteceu. Da forma que descrevi, soa como um filme pornográfico homossexual, então não vou contar os detalhes, mas pareceu ter uma conexão muito diferente.
 
Seus pênis se tocaram?
 
Não.
 
Certo, então tá tudo bem.
 
Não, mas isso não significaria que era um filme pornográfico homossexual, porque ninguém estava filmando. Não havia uma câmera. 
 
Atualmente, há uma ênfase em músicas em streams, ou single vs. álbum, teve algum impacto em como você pôs tudo junto? Ou ainda é de forma coesiva, do começo ao fim, como você fazia?
 
Não, este era concisamente uma história e The Pale Emperor vem de um livro e era uma biografia de Antonin Artaud e eu estou falando isso com o máximo de sotaque Americano que posso, porque não quero soar pretensioso, mas eu posso soar caipira, quero tatuar "caipira" no meu pescoço (NT: 'Caipira' em inglês é 'redneck' e 'neck' é 'pescoço'), um escritor francês, escreveu sobre Heliogábalo, antes de Calígula, não o filme, a história de verdade, foi o primeiro imperador romano jovem. O primeiro que negou à Deus, eles costumavam cortar os camponeses no meio das ruas, e derramavam vinho em cima, e diziam ''beba'', e ele era extremamente pálido, eles o chamavam de imperador pálido.
 
Aprendemos algo aqui hoje.
 
Aí está, jogue no Google.
 
Agora não precisa mais. Você é esperto, Manson, sabia?
 
Um pouco.
 
Deep Six, novo single, certo?
 
Sim, essa música, ou melhor, o termo ''deep six'' é um termo da marinha, de certa forma, mas também se refere a seu jardim, por exemplo, meu quintal, eu não morei em uma casa por uns quatro anos, eu vivi em um apartamento esquisito, sem nenhum de meus pertences, mas eu comprei uma casa nova, e tinha um incinerador no quintal, e um jardim, então eu disse ''deep six'', com uma pá. É uma ameaça implícita.
 
Certo. Todas as histórias do Manson parece que tem mais umas mil páginas por trás que você quer ouvir. A música soa excelente, pura. Eu não sei o que eu quis dizer com isso, eu tenho uma concussão.
 
E eu tenho um dedão quebrado. E sobre a produção, o cara que mixou o disco, Robert, ele tem quatro grammy awards, mas mais importantemente, ele já foi um astrofísico, antes de mixar o disco.
 
Claro que ele foi, por que não seria? 
 
Por que você não iria querer esse cara? Quando ele disse que era um astrofísico, nós começamos a falar de coisas... De um jeito esotérico.
 
Aposto que você faz os melhores jantares.
 
Eu nem sequer tenho uma mesa de jantar.
 
Mas eu aposto que o grupo de pessoas que você junta pra festas e jantares proporciona excelentes conversas.
 
Você está querendo que eu te diga os nomes. O que eu tento fazer é, e você está me obrigando, por que isso é um talk show, de alguma forma... Eu tento não falar demais, por que eu geralmente falo demais em festas. E eu sinto dificuldades de comer em público, porque eu continuo falando o tempo inteiro. Isso que me mantém sobriozinho. Eu falo demais pra ter tempo de beber.
 
"Sóbrio" parece uma palavra completa, não sei se encaixar esse ''zinho'' no final combina. [risos]
Estamos ficando sem tempo, Manson! O novo álbum, The Pale Emperor, é seu nono álbum, você achou que fosse chegar longe desse jeito? Ou só pensou ''Talvez eu seja sortudo o suficiente de conseguir lançar meu primeiro disco, e então vou ter que arrumar um emprego de verdade''?
 
Bem, eu tenho vigor. Este disco está se mantendo fiel a história, o que é bem Robert Johnson, Fausto, enfim, então, eu estou fazendo com que o diabo fique famoso como um rockstar, e eu acho que tem alguns anos que escuto ''toc toc'', e eu não atendo a porta, pra não pagar minha dívida  com o diabo, isto é meu pagamento, esse disco... Pros fãs, pra mim, pra quem quer que esteja dentro de mim, pra quaisquer pessoas. É meu troco por, talvez, me achar arrogante demais e pensar que não tinha que pagar o débito com o diabo, e o cheque está no correio.
 
Bem, deixe-me dizer apenas uma coisa: seja bem-vindo de volta, amigo!
 
Obrigado!
 
Ótimo te ver.

Marilyn Manson disse à NME que se sente mais confiante sobre seu próximo álbum, The Pale Emperor, do que qualquer outro disco desde o Holy Wood lançado em 2000.

O The Pale Emperor será lançado no dia 19 de Janeiro e é a primeira colaboração entre Manson e o novo companheiro de banda, Tyler Bates, um compositor de trilhas sonoras mais conhecido pelo seu trabalho em Os Guardiões da Galáxia.

"O disco sente-se preso à fábula de Mefisto, onde a vida é fadada. Não me sentia assim desde o Holy Wood, onde o destino reuniu coisas por um motivo. É como se as coisas tivessem que cair neste exato espaço. Isso não é o definitivo do que posso alcançar, mas estou mostrando um justo respeito por mim mesmo e pelo que criei no passado. É o que era para ser."

O disco foi gravado no estúdio de Bates em Los Angeles, e Manson revelou que vários de seus vocais foram gravados em uma tomada. Ele disse, "Esse disco é rock n' roll de verdade, e aconteceu naturalmente. Parecia algo do tipo, "Nossa, de repente é isso que eu tenho que fazer." Tyler escrevia a música e dizia, "Você gostaria de cantar nisso?" No final de Third Day of a Seven Day Binge você pode me ouvir improvisando a letra, com "hmmmmmm" enquanto a guitarra do Tyler passava pelos meus vocais. Parecia certo enquanto estava acontecendo, e não houve músicas que não foram finalizadas."

Marilyn Manson tem estado bastante ativo ultimamente, dividindo seu tempo entre terminar seu novo álbum, The Pale Emperor, e aproveitar um papel recorrente na última temporada de Sons of Anarchy. Recentemente, Manson tirou um tempo para falar com o apresentador do Loudwire Nights, Full Metal Jackie, sobre ambos os projetos e você pode conferir a conversa abaixo:

 

Marilyn Manson conosco no programa. Muito feliz de tê-lo aqui.

Jackie, não tenho falado com você desde o tapete preto. Estava um pouco confuso porque estava caótico. Acho que aquela garotinha do The Walking Dead tentou me comer.

As coisas ficam doidas naquele tapete.

Acho que trocadilhos realmente dobraram-se e ficaram mais engraçados por não serem engraçados. Tipo ser o Dr. Double Entendre. Sempre que trabalhei em um set de filmagens, e certamente em Californication, na maioria das vezes eu diria aos diretores, "Você me quer de jaqueta ou sem ela? Com jaqueta ou sem jaqueta?" (NT: "jacket off" pode ser um trocadilho com "jerk off" que significa "ejacular" em Inglês) Então você precisa dizer isso alguma vez como o Full Metal Jackie - com jaqueta ou sem jaqueta? Deixaria todo mundo pensando porque é muito estúpido. E então eles respondiam, "Não, Manson, sem jaqueta". E eu tipo, "Sério? Você não me pagou por isso - pela parte sexual."

Posso pegar isso emprestado?

Você pode ter isso. Dei uma lavada rápida para você.

(Risos). Ao longo de sua carreira, houve muita controvérsia, obviamente. Recentemente, um vídeo explícito com Eli Roth e Lana Del Rey. Intuitivamente, o que te diz se é para abraçar ou não uma situação controversa ou refutá-la?

Eu apenas diria "sem comentários" sobre isso. Tem o que o meu publicitário disse e tem o que eu disse, no qual não quero receber mais e-mails raivosos de ninguém. Na maioria das vezes eu diria que não - é exatamente o que eu disse. Eu apenas deixaria nisso. Sei que soa bem maricas para mim. É muito simples, eu disse o que tive que dizer e não acho que há muito mais a ser dito sobre isso. Não quero começar uma conversa, infelizmente, ejaculando.

Que satisfação criativa você consegue da televisão e filmes e como isso se completa para te inspirar musicalmente?

Eu passo a maior parte do meu tempo, quando não estou fazendo música, pintando ou sei lá, assistindo a filmes. Acho que a maioria das pessoas que me conhecem que são cineastas ou atores ficam surpresos com a quantidade de filmes que eu assisto e eu simplesmente tenho um projetor em uma parede branca. E muitas pessoas gostam de vir até minha casa e assistir coisas e ficam maravilhadas. Pessoas que são atores muito mais prestigiados ou mais ricos ou qualquer coisa do tipo.

Meus amigos que eu tendo a associar somente a isso - pessoas que são consideradas grandes atores ou artistas ou diretores ou o que quer que seja apenas sob o escopo de pessoas que eu acho que têm integridade - que me defenderia em uma briga de facas, aquelas são as pessoas que eu saio. E eu carrego um estilete de ouro. Você quer ouvir?

Sim!

Bati no telefone. Na verdade é chamado de polegar dourado na Amazon.com. Você pode comprá-lo agora.

O detector de metais pega isso?

Sim, mas eu geralmente não carrego um estilete no aeroporto. É o que eu chamaria de estúpido. Mas eu tenho um cartão de crédito de platina, não é o meu black card, mas também é uma arma. Mas isso vem da minha experiência com o Sons of Anarchy. Foi onde eu aprendi a misturar ou contrabandear coisas nas partes baixas do meu assistente - suas entranhas, no qual eu diria, "Você poderia apenas colocar o estilete dentro de você?" Ele está me olhando nos olhos neste momento.

O quanto de você mesmo você teve de introduzir no personagem Ron Tully emSons of Anarchy?

Bem, é difícil dizer. É difícil para mim vê-lo de forma objetiva pois se tornou um papel muito maior do que deveria ser. Inicialmente, começou com Kurt Sutter querendo usar uma de minhas músicas, Warship My Wreck, uma música do meu álbum que ele acabou não usando. Eu acho que toda a reunião fo feita através do Shooter Jennings. Tínhamos feito uma música juntos para o seriado, e o Kurt tinha escrito a letra dessa música e eu estava muito interessado em fazer parte do seriado porque meu pai amava tanto quanto eu. E minha mãe tinha acabado de morrer. E o seriado é muito sobre a relação entre pai e filho.

Eu queria trazer meu pai para Los Angeles para animá-lo. E acabou que isso me ajudou a conseguir que ele viesse, porém eu não esperava ser um ator, isso foi mais um sonho se tornando realidade. Eu nem sabia que isso era uma opção quando eles inicialmente me disseram que era. Eu recebi o telefonema do pessoal do Kurt Sutter quando eu estava em Ohio no funeral da minha mãe e disse “Pai, eu vou estar no seriado" e ele disse “Que ótimo!”. Eu disse “Pai, eu vou ser o líder da nação ariana.” Ele disse “Ok.” Eu disse “Pai, eu vou ser pago, eu vou estar lá com o Jax, com o Charlie Hunnam.” E isso fez meu pai sorrir, o melhor disso tudo pra mim foi deixar meu pai feliz com isso. Eu nunca tive ninguém pra me defender, e Charlie e Boom e Deo e Tommy Flanagan, eles me ajudaram em situações em que, como agora, o fato de que estou acordado antes de meio dia, não é algo normal pra mim, mas eu posso adaptar.

As pessoas tem muitas hipóteses sobre minha grande capacidade de me adaptar a diferentes horários. É muito simples. Eu tenho que dormir de sete a oito horas pra fazer essa voz mágica ser grave como ela é. No entanto, isso pode acontecer em qualquer horário. Eu costumava  pensar que três da manhã era quando meu cérebro disparava uma carga a mais, então eu pensei que era meu horário mais criativo. Mas, o que eu percebi foi que nesse horário é quando meu cérebro tem que parar [canta música de circo] e ser um circo. Mas o que aconteceu foi que fiz a maior parte desse álbum com Tayler Bates. Eu sei que eu estou me afastando muito das suas perguntas e apenas monologando, mas a maior parte desse álbum desse feito durante o dia. Eu não tinha esse circo de três da manhá na minha cabeça porque eu estava no horário de Sons of Anarchy, então eu tive uma abordagem diferente quando eu percebi que se eu terminasse tudo o que eu queria durante o dia, eu não tinha aquele circo. Eu costumava a pensar que o circo na minha cabeça era quando eu deveria funcionar. Mas as últimas três, quatro músicas que eu pensei que eu deveria gravar, eu estava errado. Não estou dizendo que não gostei dessas músicas. Só estou dizendo que eu estava errado sobre isso.

Qual foi sua inspiração por trás do seu novo álbum The Pale Emperor?

Bem, o The Pale Emperor veio de um livro que me foi dado em 2000 pelo [Johnny] Depp. Nós cuidamos um do outro assim como temos a mesma tatuagem nas costas. Era sobre Heliogábalo, que pode ser um pouco esotérico para nossos ouvintes. Ele foi o imperador de Roma antes de Calígula e foi o primeiro a negar Deus, o que já é um grande negócio. Por alguma razão, tive de abrir todas as minhas caixas velhas. Eu me mudei de casa enquanto estava fazendo esse álbum. Geralmente, eu intitulo o álbum antes de fazê-lo, mas, dessa vez, intitulei ele depois de pronto. Eu desenterrei todos esses livros e achei esse livro que Johnny me deu em Y2K, quando eu fui ficar com ele no Sul da França pois achávamos que o mundo estava chegando a um fim. Estouramos bombinhas e compramos o absinto de vários países diferentes. Li o livro e ele estava se referindo a esse imperador, que se referiam como ‘imperador pálido’ e me identifiquei na hora.

Implicando que foi o primeiro livro que me foi dado por um amigo e que às vezes eu não percebo o quão intuitivos meus melhores amigos podem ser. Eles não dizem coisas. Eles não dizem : “Aqui está o porquê de eu estar lhe dando isso.” Eles apenas me dão. Ele é a principal pessoa que me dá coisas sem eu saber por quê, no momento, mas depois acabo descobrindo. Por isso que nós temos esse estranho, completo lapso de falta de tempo e realidade. Eu conheci ele quando eu era um figurante em 21 Jump Street e tinha 19 anos. Assim que eu fiz minha primeira entrevista com Katey Sagal para uma matéria de capa onde eu dava a ela a razão de estar em Sons of Anarchy. É tudo um estranho círculo que mostra que tudo acontece pelo que... Por isso minha próxima tatuagem será ‘Fated Faithful Fatal’, de The Mephistopheles of Los Angeles.

Inicialmente, o que dá o tom para a direção musical de um álbum, especificamente deste novo?

Eu dou [crédito ao produtor] Tyler Bates. Eu conheci o Tyler em Californication. Tentamos trabalhar juntos uma vez. Era um quarto pequeno, acabou não dando certo. Foi com o Dave [Lombardo], ex-baterista do Slayer. Eu parei ele, O quarto era pequeno, e quando digo pequeno, quero dizer que era menor que o quarto onde eu estou. Menor do que a sala onde você está. Do espaço de um... Bem, um espaço de ensaio, mas estava cheio de coisas, e uma garota gritando, e eu não consigo me adaptar a ideia de bloqueio. Que se aplica a capacidade de improvisar com outros artistas sem medo, agora é mais confortável pra mim. Eu estou acostumado a me sentar em uma cabine vocal sozinha e isolada, o que não parece muito certo. Gravações devem ser feitas em uma sala com uma pessoa. Assim, depois me juntei de novo ao Tyler e a primeira música que fizemos foi Birds of Hell Awaiting e ela realmente deu um tom ao álbum. A segunda música que fizemos foi Third Day of a Seven Day Binge, que surgiu como apenas um ritmo, a gravação foi feita durante alguns meses pois nossas a gendas estavam lotadas, eu com Sons of Anarchy, ele com Guardians of the Galaxy, que acabou se tornando o maior filme do ano. Isso era o que me deixava animado para levantar e ir para o trabalho. Eu não tinha que ser arrastado ate o estúdio às três da manhã. Eu queria ir ao estúdio às cinco da tarde ou qualquer outro caso, continuava a ser durante o dia, o que era estranho para mim. Isso prova que não sou um vampiro, ou um lobisomem. Não sei sobre a parte do lobisomem.

Shooter Jennings provavelmente não é o primeiro nome que as pessoas colocariam em uma lista para colaborar com o Marilyn Manson. Em quais pontos vocês são parecidos, musicalmente ou em outras partes?

Ele é adorável, eu digo que ele é um Muppet. Nós fizemos uma música juntos e tentamos usá-la em Sons of Anarchy. Eu ainda tenho o gravador dele em casa e não tenho certeza se é a guitarra dele ou do pai dele, Waylon Jennings, que está na minha casa... Mas nós nos encontramos fielmente e eu acho que isso aconteceu por uma razão nesse ponto. Acho que tudo está acontecendo pelas razões corretas agora para mim.  Eu tenho andando ouvindo ele na minha playlist. Antes de entrar no palco, um segredo, eu passo umas três horas antes de subir no palco ouvindo música, tocando violão, sentado em meu camarim. Levo de cinco a dez minutos para passar a maquiagem e me vestir. Mas eu gosto de passar essas três horas fugindo do mundo, e eu tinha duas músicas do Shooter Jennings na minha playlist. Um era All of This Could Have Been Yours e F–k You, I’m Famous. Um de Californication e outro deSons of Anarchy. A ironia de ter sido esses dois seriados é algo que não se pode ignorar que foi algo não menos que fiel. Então quando eu e ele nos encontramos e nos tornamos amigos, rapidamente viramos melhores amigos. Ele era mais um irmão que eu nunca tive e são muitas pessoas que eu considero dessa forma. Eu nunca tive irmãos então é difícil para eu fazer essa associação, mas qualquer pessoa que está disposta a jogar fora sua jaqueta de couro ou socar alguém por você – se necessário. Não como em uma briga de bêbados em um bar mas alguém para defender sua honra e defendê-lo como um irmão. Isso significa muito para mim e eu encontrei isso com o Shooter. 

Então isso se torna algo com todas as pessoas que conheço e se torna, para mim, uma regra ou código moral que eu sempre tive. Se você ama alguma coisa, você tem de defendê-la. Não importa se você acredita em Deus ou não. Se você tem moral, as pessoas me consideram amoral ou imoral, mas eu acredito que se você se importa com alguma coisa, você vai defendê-la de todas as maneiras possíveis. Talvez isso me torne um verdadeiro vilão. Em toda história o herói é completamente uma linha reta, ele só faz aquilo que o mandam. O vilão é sempre o catalizador, a Parte III. O Ato III, é onde eles trazem o catalizador para mudá-lo. A pessoa que vai dobrar as regras, que vai quebrar as regras por paixão. Por amor. Essa é a forma que mais me vejo como pessoa.

É uma honra falar com você. Se eu puder ser tiete por um segundo: Quando eu tinha 15 ou 16 anos, menti para os meus pais sobre onde estava indo quando morava em Nova Jersey. Fui para Manhattan e assisti a um show seu naquela turnê com o Nine Inch Nails e o grupo Fem2Fem.

Meu deus, aquela foi uma época incomum. Na verdade era a Fergie [na banda Fem2Fem].

Não, não era!

Sim, era!

Não, você está de brincadeira?

Era a Fergie!

Nossa, ela era safada!

Mas você já tirou a jaqueta ou ejaculou?

(Risos) Enfim, foram épocas ótimas.

Gosto de ser o porto das fugas adolescentes.

 

[Nota do Editor: Procuramos na Wikipedia e no resto da Internet, e não há nenhum registro da Fergie ter feito parte do grupo Fem2Fem. Ela estava no Wild Orchid no começo dos anos 90. Talvez seja quem o Marilyn Manson esteja pensando. Quem sabe?]

Fonte: Loudwire

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14.11 @ Annexet
15.11 @ Hal 14
16.11 @ Sporthalle
18.11 @ Zenith
19.11 @ Tip Sport Arena
20.11 @ Gasometer
22.11 @ Pala Alpitour
23.11 @ Samsung Hall
25.11 @ Velodrom - UFO
29.11 @ Mitsubishi Electric Halle
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